Log in

View Full Version : O estado das Forças Policiais


Sebastianus
November 15th, 2011, 08:18 PM
Criei este tópico principalmente para debatermos a situação das forças policiais nos nossos países, Portugal e Brasil, extensivo também a outros países europeus e Estados Unidos caso os camaradas tenham experiências ou informações ou noticias que queiram partilhar.

Creio que é um assunto da maior importância pois afecta a vida de todos os cidadãos que não tem os meios necessários para contratar seguranças privados.

Pela minha experiência de vida, observação da realidade e informações que me foram confidenciadas por agentes policiais é notória uma degradação tremenda das suas condições de trabalho, acompanhada por quadros penais progressivamente mais favoráveis ao banditismo e penalizadores para com os agentes, o que se reflecte enormemente no aumento da criminalidade e crescente sentimento de insegurança no cidadão comum. Em Portugal este cenário acentuou-se principalmente nos últimos 10 anos, chegando a níveis insustentáveis e inimagináveis num passado não tão distante. Ainda cresci numa época em que o respeito pelas forças da ordem e a sua autoridade eram bastante sólidas, mas as coisas mudaram...

Faço a abertura desta discussão com um texto tirado da sinopse do livro "Policia à Portuguesa - Um retrato dramático" que em poucas palavras reflecte o actual estado da PSP.
http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=7859

Num momento em que a questão da insegurança está na ordem do dia, apresentamos este livro no qual se traça um retrato «cru», actual e realista da PSP. Uma realidade que não passa despercebida à própria Corporação, às forças políticas e à sociedade civil em geral.
Falamos de uma polícia mal preparada, desmotivada e sem condições de trabalho. Homens e mulheres que chegam a passar fome, que têm uma vida familiar desestruturada, problemas de saúde, sujeitos a regras que nem sempre compreendem, alvos fáceis de processos disciplinares e/ou criminais. Polícias que têm ordem de não disparar nas perseguições a criminosos. Que tentam fazer o seu trabalho com armas velhas, balas contadas, coletes muito pouco à prova de bala. Que conduzem carros que não passariam numa vulgar inspecção e cujos motores muitas vezes «rebentam» em plena «caça» ao ladrão! Que não acertam num alvo a não ser por acaso... E como se não bastasse, falamos de polícias que ainda se queixam de perseguições internas, de favoritismos, de partidarização da Corporação e da influência militar.
Este é um documento fundamental que apela à reflexão nacional, especialmente quando o que decorre da sua leitura é que, na verdade, a nossa segurança está mesmo em risco.

Sebastianus
November 15th, 2011, 08:29 PM
Coloco aqui neste thread um post que escrevi recentemente num outro tópico menos adequado.

Ainda outro dia fui à Costa de Caparica (que 35 anos de autarquia comunista converteu o que poderia ser uma estância balnear de luxo em um ghetto imundo invadido por pretos e brasileiros) passei de carro e estava um preto a destruir todos os sinais luminosos, pendurava-se neles até os derrubar, continuava e derrubava outro mais á frente. Eu chamei a atenção da policia para o facto e eles não fizeram nada... tive de fazer eu.

Até acho que temos bons policias em Portugal (sempre tivémos), bem treinados e duros na hora de agir, o problema é que estão completamente desmotivados e mal equipados, os governos "democráticos" principalmente o Partido Socialista declararam guerra á policia, muitos nem sequer tem acesso a colete à prova de balas, tem de pagar as suas munições, falta de dinheiro para a gasolina e manuntenção das viaturas policiais, se pensam em pegar na pistola arriscam-se a levar um processo disciplinar e perder o emprego, se fazem uma detenção e acompanham os réus ao tribunal esse dia de trabalho não lhes é pago... o cúmulo. Estes governos fizeram tudo, alterando as leis que só favorecem os criminosos, e conseguiram transformar um dos países mais seguros do Mundo na baderna violenta que é hoje.

Bons eram os tempos em que a escumalha acusava a nossa policia de brutalidade, mas fizeram uma campanha tão grande contra a policia que agora vão sofrer a brutalidade dos bandidos, como aquele palhacito e desertor do deputado Manuel Alegre que ja foi assaltado em casa, é bem feito deveria ter sido morto, ele e toda a bosta esquerdista que tanto fez e faz para destruir Portugal.

Metam uma coisa na cabeça, a única coisa que impede os pretos/castanhos de nos fazer um genocidio ainda maior e de nos atacar, roubar e matar a seu belo prazer ainda é a policia e algum medo que tem de serem apanhados, quando perderem totalmente o respeito pela autoridade (que está perto de acontecer) não haverá nada que os segure, eles não conseguem resistir á tentação do caminho fácil que é tirar o que é dos outros. A maioria deles genéticamente não estão adaptados a viver em sociedades organizadas e obedecer regras de respeito civico. O medo é a unica linguagem que eles entendem e respeitam.

Os homens brancos tem de pensar em defenderem-se a si próprios e ás suas familias e pararem de se comportarem como bonecas. Mas como ainda por cima o serviço militar deixou de ser obrigatório está consumada a feminização do homem ocidental. Quando se perde o respeito pela autoridade um país está perdido e os seus cidadãos em risco de vida.

Quando a autoridade e o estado falham em providenciar a segurança minima aos seus cidadãos, só resta uma solução em nome da nossa sobrevivência, o direito à auto-defesa.

Nikolas Försberg
November 16th, 2011, 07:03 AM
Bom, por experiência própria eu posso falar das forças policiais do Brasil.

As pessoas tem que entender algumas coisas antes de falarmos da polícia. A polícia não foi criada para fazer a segurança da população, ela foi criada para fazer segurança de Estado, da elite e dos politicos.

Vou deixar abaixo um pequeno relato pessoal...

O modelo policial no Brasil é baseado em "metas a serem batidas", mas essas metas não são em qualidade de serviço, mas em numeros, apenas quantidade.

Tanto a Polícia Civil como a Polícia Militar são obrigadas a alcançar os numeros que o Governo determina. Existem metas de pessoas conduzidas, veiculos apreendidos, armas de fogo apreendidas, drogas apreendidas, e etc.

Em outras palavras é apenas para gerar numeros para o Estado apresentar como bem quiser depois.

Os policiais (principalmente os PM's) são obrigados a "produzir" crimes como meio de alcançar as metas estabelecidas pelo Governo para não deixarem de ganhar as "folgas" e o "abono produtividade" (que é pago uma vez por ano).

Vou citar dois exemplos de como são fabricadas as apreensões de armas de fogo em MG...

[EXEMPLO 01]

Muitos policiais adiquirem armas velhas com dinheiro do próprio bolso para forjarem as apreensões. Existem casos de policiais que fabricam armas artesanais para depois forjarem uma "entrega voluntária" ou "apreensão" para alcançarem as metas de armas apreendidas.

[EXEMPLO 02]

Alguns policiais motivados pela pressão que o Governo coloca em seus Chefes, e que os seus Chefes colocam nele, chegaram ao ponto de utilizar o próprio sistema de cadastros de armas de fogo para checar as pessoas que tem armas de fogo registradas nas áreas onde eles trabalham.
Chegam na porta da casa da pessoa e fazemd e tudo para a pessoa entregar a arma legal que elas tem. Conheço casos de PM's que tomaram a força as armas de cidadães civis que tinha essas armas registradas.

Bom, isso acima é apenas para se ter uma idéia...

Vejamos agora como é que os numeros são manipulados, e os crimes aumentam ou diminuem, dependendo da vontade do Governo.

Isso depende apenas de como serão registrados os fatos...

E claro, alguns policiais também utilizam a tática dos registros a bem querer, para aumentar ou diminuir crimes no papel.

Querem exemplos? Pois bem...

Vamos diminuir os crimes violentos agora...

TENTATIVA DE HOMICIDIO pode ser registrado como LESÃO CORPORAL, que é um crime de menor potencial ofensivo.

ESTUPRO pode ser registrado como ATENTADO VIOLENTO

TRÁFICO DE DROGAS pode ser registrado apenas como POSSE/USO

AGRESSÃO pode ser registrado como DESENTENDIMENTO VERBAL

ROUBO é registrado como FURTO.

E por ae segue a lista... se quiserem aumentar o numero de crimes para algum fim, basta fazer o contrário.

Sendo que em alguns casos, é negado ao cidadão o REGISTRO de OCORRÊNCIAS, sempre com a mais variada das desculpas.

Já a PF é usada de "polícia do sistema", é o braço do ZOG. A PF perde tempo investigando quadrilhas e afins, elabora um inquérito completo, e quando chega na Justiça vê o trabalho de meses indo por água abaixo por causa da influência de muitos dos indiciados que são politicos ou grandes empresários. Vide o caso do banqueiro Daniel Dantas.

Um exemplo simples sobre a PF é o fato de que ela esta seguindo orientações do Governo Federal para não liberar autorizações para que o cidadão civil possa comprar uma arma de fogo, mesmo que ele atenda todos os requisitos.

Em muitos casos, os policiais acreditam que estão somando alguma coisa de bom para a sociedade em que eles vivem, mas o que eles não sabem é que estão afundando eles mesmos e a sociedade em que vivem.

O assunto é longo, e depois eu continuo a escrever...

Nikolas Försberg
November 16th, 2011, 07:05 AM
Existem inúmeras razões que podem motivar uma pessoa a querer se tornar um policial. Eu, particularmente, decidi me tornar um policial por 2 motivos: primeiro, por desejar exercer uma profissão que fosse ao mesmo tempo nobre e importante e, segundo, queria um trabalho que proporcionasse ação e não fosse rotineiro, pois pode parecer insano, mas gosto do perigo e de correr riscos. Quando me inscrevi e fui aprovado no concurso de 2003 para o cargo de Detetive da Polícia Civil, achei que estava entrando para uma profissão assim, para um órgão policial de verdade. Achei que seria Detetive, um investigador.
No item 1.1 (Descrição sumária das atividades) do edital do concurso, dizia:
"Detetive é o servidor policial que tem a seu cargo a investigação e coleta de elementos para elaboração de inquéritos e processos sumários, policiamento preventivo especializado, cumprimento de mandados, escolta de presos e investigação sobre paradeiros de pessoas desaparecidas (Art. 70 da Lei nº 5.406, de 16 de dezembro de 1969 - Lei Orgânica da Polícia Civil de Minas Gerais)."
Fui enganado! Até acabou-se com o cargo de Detetive, mudando a denominação para Agente de Polícia. Preferia muito mais o termo Detetive, que delimitava melhor a especialidade da função e nos correlacionava com os Police Detectives das outras forças policiais do mundo. Agente é um termo muito genérico e que costuma ser referenciado aos agentes federais.
Pode-se dizer, pelo menos sob meu ponto de vista, que a Polícia Civil já não é mais um órgão policial de verdade. As delegacias foram transformadas em cartórios. "Você vai numa delegacia e o que menos vai encontrar são policiais correndo atrás de criminosos. Eles ficam lá batendo carimbo e preocupados com prazos e procedimentos legais. Há um formalismo que não tem nada a ver com o problema criminal." (comentário realizado pelo sociólogo Claudio Beato, diretor do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança da UFMG em entrevista com o jornal Folha de São Paulo em 10/11/2008.)
Os governantes ainda só estão preocupados com números e não com a qualidade do serviço. Realiza-se muito mais em termos de quantidade, voltando-se para as atividades internas de intimar, ouvir e remeter o mais breve possível o procedimento à justiça, do que se empenhar na qualidade dos serviços externos de investigações, investigação de campo.
Nos distritos, as delegacias operacionais, normalmente têm cerca de 800 a 1000 inquéritos em trâmite, sem contar as centenas de REDS (Registros de Eventos de Defesa Social) e de TCOs (Termos Circunstanciados de Ocorrência). Os poucos policiais civis ocupam a maior parte do tempo atendendo ao público para registrar suas ocorrências, na grande maioria das vezes tratando-se de simples perda de documentos ou de objetos que não é motivo para gerar uma investigação, redigindo e protocolando documentos e deslocando-se para realizar intimações ou encaminhar inquéritos e outros expedientes à outras unidades. Os trabalhos ficam por conta dos escrivães ou dos agentes desviados de sua função que irão apenas ouvir os relatos e depoimentos, reunir as informações e encaminhar ao poder judiciário. Pois é, acabaram-se as cadeias nas delegacias e os policiais civis deixaram de tomar conta de presos para tornarem-se "office boys" da justiça. Não há investigação. Investigação mesmo, havendo levantamento, coleta de evidências, campanas nos locais de ocorrências de crime, cruzamento de informações, filmagem ou fotografia, escuta, etc.: nada.
Nas delegacias especializadas é ainda pior, pois, só no caso da homicídios, são geralmente 80 inquéritos, ou seja, 80 homicídios, para cada agente, por mês. E todos com prazo. É praticamente impossível de se investigar corretamente. Muitos acabarão não sendo investigados se acumulando.
Atualmente, quase que a totalidade das prisões realizadas, principalmente durante os plantões, são feitas pela Polícia Militar através de ocorrências ou até mesmo por meio de investigações realizadas pela inteligência desta (P2). Difícil ver uma prisão feita por uma investigação iniciada e concluída pela própria Polícia Civil.
Algumas vezes há sim uma certa investigação que gera uma operação policial e que acaba resultando na prisão de criminosos. Mas pode apostar que houve um interesse particular ou pressão política ou social para isso. Outras vezes há uma pequena operação, para fazer propaganda sabe, mostrar a comunidade que a polícia "está trabalhando" e que geralmente não resulta em prisão nenhuma, afinal não houve levantamento, não houve investigação. Foi só pra inglês ver.
Por outro lado, em várias unidades de apoio tático da PC e em determinadas unidades administrativas, os policiais civis sofrem com o tédio. Ficam ociosos grande parte do tempo e são impedidos ou não têm competência para investigar nem um mísero furto que esteja acontecendo frequentemente próximo às suas unidades.
Acabou aquele tira bom de serviço que só vivia nas ruas ou dentro da viatura. Que estava atento a tudo que ocorresse nas ruas. Que tendo vários informantes, sabia quase tudo. Aquele que virava as noites e ficava altas horas da madrugada de campana para saber o que um suspeito estava aprontando ou iria aprontar. Que estava pronto a qualquer hora do dia ou da noite pro que der e vier, para uma operação ou para fazer uma prisão. Aquele polícial 24 horas que não tinha medo de "bronca", que não tinha medo de nada. Que, orgulhoso do distintivo, gritava: "POLÍCIA! PERDEU, PERDEU. MÃOS NA CABEÇA E ENCOSTA NA PAREDE. A CASA CAIU, TÁ PRESO!"
Hoje o tira bom é aquele servidor, preferencialmente submisso, que entende de informática ou o polícial de escritório, nos moldes do funcionário público: cumpridor de horário, que chega à repartição exatamente às 08:30h; senta-se em frente à mesa ou ao computador; permanece ali o dia inteiro, pausando de vez em quando para tomar um café ou bater um papo; pára ao meio-dia em ponto para o almoço; retorna pontualmente as 14h; senta-se denovo na mesa ou no computador, pausando novamente para os coffee breaks; até dar 18:30h para ir embora o mais rápido possível do entedioso trabalho. Trabalho depois do expediente, nem pensar! Este, passou a ser o servidor ideal para a polícia. E se um destes, sei lá, que possui um espírito policial, se deparar com uma situação e resolver fazer uma prisão. Ao levar o suspeito para a delegacia, mesmo não tendo agido com abuso algum, mesmo tendo executado o procedimento de forma legal, ainda pode não contar com apoio e ouvir um monte de broncas de seu chefe por "estar dando trabalho".
Não estou dizendo que queria o retorno daquela polícia antiga e obsoleta que só apurava tudo através da tortura, no pau de arara. Isso não é investigação. Alguns ainda dizem que assim se apurava muitos crimes e que só desse jeito é possível apurá-los. Mas qualquer um que esteja sob tortura vai inventar qualquer coisa, dizer até o que não fez, simplesmente para se livrar do sofrimento. É verdade, que em certas situações extremas, repito, EXTREMAS, a lei é incompetente e ineficaz. E para solucionar isso é necessário atuar fora da lei. Vai me dizer que você não agiria de forma ilícita para pegar um criminoso que matasse um filho seu ou estuprasse sua mulher e ficasse impune? Não se trata de vingança, e sim de punição. Mas, como eu disse, tratam-se de situações extremas e raras. E mesmo assim, aquele que o fizer estará correndo o risco de ser responsabilizado por seus atos. Agora a prática cotidiana de tortura ou da arbitrariedade policial é sim totalmente condenável.
Acreditava que nós policiais da nova geração poderíamos atuar de forma mais inteligente, melhorando a imagem da Polícia Civil. Sonhava com uma PC diferente, encarregada única e exclusivamente do exercício de polícia judiciária, ou seja, das investigações criminais. Sonhava que a PC poderia ter tanta moral quanto a Polícia Federal. Aliás até mais, pois o número de crimes investigados e solucionados seriam incrivelmente grandes, reestabelecendo a sensação de segurança e adquirindo o respeito da mídia e da população.
Mas para que isso ocorresse era necessário que a Polícia Civil abandonasse tudo que a ela não dizia respeito para então somente fazer aquilo que era de sua competência: investigação.
Sendo assim, devia parar de ficar "enxugando gelo", correndo atrás de bandidos e traficantes "pé-de-chinelo" ou de ficar perseguindo os pobres na favela. Quando se fala em investigar, já pensam logo em "ir pro morro", pô! Ao invés de ficar prendendo no ato qualquer viciado e pequenos ladrõeszinhos, passar a observá-los e monitorá-los para se chegar aos que comandam a atuação destes, o crime organizado.
Crime organizado
O crime organizado não é aquele que gira em torno dos traficantes dos morros, o bandido altamente armado, dono das bocas de fumo e nem de quadrilhas armadas especializadas em roubos a bancos e sequestros. Conforme exposto pelo documentário Notícias de uma guerra particular (1999), de João Moreira Salles e Kátia Lund, os chamados "donos dos morros" não constituem uma organização criminosa verdadeiramente operacional. Têm realmente um mínimo de coodernação entre as atividades financeiras, de comércio, de proteção armada, de combate e de "apoio comunitário". Entretanto, eles não têm conhecimento ou contatos suficientes para movimentar milhões de dólares ou participar do jogo de poder e dinheiro que caracteriza o relacionamento com as altas cúpulas do Estado constituído.
Conforme o Promotor de Justiça de Minas Gerais e professor da PUC Minas, Marcelo Cunha de Araújo, sobre o crime crime organizado no Brasil, a ligação entre o tráfico e o crime organizado não se dá nos morros (ou nos presídios) e sim em um nível hierárquico-organizacional acima. Para cada dono de boca de fumo, existe alguém mais sofisticado e poderoso que consegue financiar a atividade sem se expor ou sem "sujar as mãos" com a violência da guerra na favela. Esse alguém mais sofisticado e poderoso tem íntimas ligações com o Estado e é pessoa que, dentro do sistema, opera de forma a impossibilitar sua mudança. Trata-se do financiador oculto de campanhas eleitorais, do empreteiro que misteriosamente vence licitações, do lobista que consegue verbas no orçamento, do intermediário que facilita a obtenção de sentenças em determinado sentido. Tal crime é organizado porque possui entre seus componentes servidores e membros do governo corrompidos.
Guarda de presos
A guarda e custódia de presos não deveria ser mais atribuição da PC, a não ser estritamente durante a fase de investigação. Felizmente, neste quadro nosso governo conseguiu solucionar isso criando a Subsecretaria de Administração Penintenciária e transferindo a responsabilidade para os agentes penitenciários. Nesse sentido o problema já foi resolvido.
Atribuições e serviço administrativo
Delegado era Delegado e Polícia era Polícia. Os Delegados, chefes que dirigiam as unidades, supervisionavam as ações dos agentes e coodernavam as operações policiais. Os agentes, investigadores, lidavam diretamente com as investigações, agindo com maior autonomia, sem ter que ficar "pedindo benção" ao delegado para cada procedimento que fosse realizar. O serviço administrativo seria realizado somente por agentes administrativos e técnicos especializados. Escrivães não eram mais sobrecarregados, cuidavam unicamente das suas atribuições, secretários e digitadores terceirizados os auxiliavam, realizando as funções que não lhe diziam respeito. Eventualmente, poderia se atribuir o serviço administrativo aqueles policiais que fizeram alguma besteira ou que se tornaram inaptos para o serviço operacional.
Termo Circunstanciado de Ocorrência
O Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) nada mais é do que uma transcrição do REDS/BO registrado pela Polícia Militar. Ele seria repassado pela PM diretamente aos juizados competentes, pois trata-se de trabalho do poder judiciário e não de polícia, muito menos de polícia investigativa, deixando as delegacias de ficarem marcando audiências e transcrevendo os REDS/BO como se fossem "secretarias privilegiadas dos juizados".
Competência
A competência seria descomplicada. Simplesmente ratione locci. A polícia uniformizada não se fragmenta em competências ratione materia ou persona e, menos ainda, ratione valoris. Como seria responsável apenas pela investigação criminal, e não pela prevenção, assim como também não mais ficava responsável em atender ao público para registrar ocorrências, o que deveria ser feito pela PM com um número maior de militares e servidores que os auxiliariam, acabaria aquele enorme números de pequenas delegacias espalhadas pela cidade, muitas vezes instaladas em pequenas casas que demonstravam sua fragilidade e eram um chamativo para serem invadidas por grupos armados. Isso economizaria ainda nos gastos que o Estado tem com os vários imóveis. A polícia uniformizada e preventiva que deveria sim ser mantida espalhada por toda a cidade de modo a aumentar sua eficácia e agilizar o atendimento das ocorrências.
Para a Polícia Civil haveria apenas Departamentos em cada município. E nos maiores municípios, haveriam ainda as Delegacias Regionais. Cada delegacia, seja departamento ou regional, seria responsável pela sua respectiva área. E as atribuições especializadas, como homicidios, narcóticos, roubos, fraudes, eram divisões que funcionavam dentro das próprias delegacias. Não haveria mais a separação de policiais civis comuns e policiais civis especializados. Todos eram especializados pois trabalhavam em alguma divisão dentro das unidades.
Prédios
Os prédios das delegacias seriam grandes, bonitos e, naturalmente, cheios de policiais. Possuiriam câmeras de vigilância e segurança especializada terceirizada. Definitivamente haveria um controle de entrada em suas dependências. Ninguém entrava sem identificação e autorização. Nunca mais alguém que simplesmente vestisse um terno iria conseguir se passar por delegado e entrar em todas as áreas da unidade. Ninguém mais haveria de tentar invadir uma delegacia.
Aparência
Não haveria mais policiais ignorantes, com pouca instrução, com aquela aparência de "bicheiros", donos de jogo do bicho". Geralmente mal vestidos, portando pochete e usando aquele colete de tecido, feio que dói, escrito "Polícia Civil" atrás e na frente desenhado, na lateral, um brasão de todo tamanho. Essa imagem que deve ter contribuido para a origem daquele personagem da Escolinha do Professor Raimundo, o Seu Fininho, interpretado pelo ator André Mattos que sempre dizia: "É PULIÇA! P-U-L-I-Ç-A! OTORIDADE!"
Os Detetives, tipicamente, deveriam usar ternos esporte ou outro traje formal (business attire), adaptados para o clima tropical do nosso país, quando dentro de delegacias, fórums, prédios públicos, cenas de crime, ou quando estivessem realizando funções burocráticas e investigativas onde o uso de uniformes chamaria muita atenção ou seria intimidatório, mas ainda houvesse a necessidade de se estabelecer e se demonstrar como uma autoridade.
Os Detetives que permanecessem maior tempo nas ruas e que não comparecessem tanto nos locais acima, usariam roupas comuns, urbanas ou street ou outro tipo de traje geralmente usado pelo público, no ambiente que estejam, de modo a se misturarem com o público sem chamar a atenção.
Os segundo caso também se aplicaria quando convocados para reforçar a segurança em estádios e eventos, pois identificariam as infrações com muito mais eficácia e não revelaria ao público suas identidades prejudicando qualquer serviço investigativo futuro. Como um detetive pode investigar se a sua identidade e sua função já ficou estampada para todos? Além disso, a polícia uniformizada, com seus cacetetes, cães e equipamentos táticos são mais treinados para exercer a segurança e lidar com a multidão.
Quem nunca entrou numa delegacia e ficava sem saber quais das pessoas são ou não policiais? Algumas vezes, dá pra distinguir porque se vê claramente alguém portando uma arma na cintura. Mas se a arma não estiver à mostra, não dá pra saber quem das pessoas que estão lá, são policiais. Já houve situação que até detentos foram confundidos como policiais. Por isso seria obrigatória a utilização do distintivo por todos os policiais civis, no exercício de suas atividades, salvo, é claro, quando a necessidade do serviço exija sua ocultação. O distintivo deveria ser fixado nas vestes do policial, em local de fácil visualização, devendo ser usado no cinto do lado direito, no bolso superior do paletó, no lado esquerdo da camisa ou dependurado no pescoço, à altura do peito.
Unidades táticas
No máximo uma divisão tática em cada departamento. Particularmente nem acho que seria necessário a Polícia Civil ter uma unidade tático-uniformizada. Para quê 2 tropas de elite em polícias diferentes se a função é a mesma, dar apoio em operações ou rebeliões? Acabaria com aquelas inúmeras unidades de apoio tático com policiais civis uniformizados. Praticamente todos os policiais da PC atuariam na investigação. Quando fosse necessário um apoio tático numa operação, por exemplo, a PM e seus grupos táticos ou de elite (Tático Móvel, ROTAM, GATE, etc.) apoiavam dando cobertura na atuação dos policiais civis. Creio até que iriam com a maior boa vontade, pois a PM gosta de estar em operações junto com a PC, além de serem bem mais treinados nesta função ostensiva. Mas, se por alguma razão, que não seja vaidade, que eu desconheça acha-se necessário a PC ter uma unidade tática, então que fosse como dito: no máximo uma divisão tática em cada departamento.
Detran
A Polícia Civil não deveria mais ficar encarregada de emplacar veículos, expedir documentos de trânsito ou carteiras de motoristas. Todos os policiais que trabalhavam no Departamento de Trânsito passariam a trabalhar em delegacias. Examinadores? Ora deixe o agentes de trânsito incubidos desta tarefa. O Chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Marco Antônio Monteiro de Castro, até que começou a pôr em prática essa idéia, mas não prosseguiu. Possivelmente alguém deve ter "berrado". Na verdade, eu acharia até melhor se o Detran passasse a ser um órgão independente, não pertencendo a Polícia Civil, pois não tem nada a ver com polícia judiciária. Mas sabemos muito bem que isso não seria feito pois o Detran é uma fonte de dinheiro e poder enorme...
Departamento de informática
Não há necessidade de existir um departamento de informática só para a polícia, constituído basicamente por policiais. Os policiais civis que ficavam trabalhando como técnicos de computadores seriam todos remanejados para as delegacias. Todo o serviço de informática seria prestado pelo órgão ou departamento especializado que presta os mesmos serviços para os outros órgãos do governo. Ou então deveria ser contratado por empresas terceirizadas que garantiam o serviço sempre que necessário.
Instituto de Identificação
O Instituto de Identificação não ficaria engarregado de emitir carteiras de identidade. Órgãos especializados ficavam incubidos desta tarefa. O I.I., teria como prioridade o arquivo criminal digitalizado e informatizado. Com sistemas como o AFIS (Automatic Fingerprint Identification System) seria possível identificar qualquer impressão digital deixada na cena do crime, independentemente da existência de suspeitos. Se possível, apareceria até a cor da cueca do malandro.
Instituto Médico Legal
O Instituto Médico Legal não ficaria todo o tempo mais realizando S.V.O. (serviços de verificação de óbito). Estes seriam realizados agora pelas prefeituras municipais. O IML realizaria apenas as autosias de interesse criminal. Desta forma, os laudos médicos sairiam rapidinho...
Instituto de Criminalística
Quanto ao Instituto de Criminalística (IC), o departamento forense, o pessoal que trabalha lá é que é mais indicado a comentar as necessidades deste departamento. Embora não precise ser um perito para saber que tal departamento poderia operar com modernos e sofisticados aparelhos, desenvolvendo técnicas científicas com peritos ou agentes forenses muito bem preparados.
Departamento de transportes
Viaturas caracterizadas para investigação? Nada disso. As viaturas, quase todas descaracterizadas. Seriam muito poucas as viaturas caracterizadas.
A oficina e o abastecimento dos carros seriam realizados por profissionais especializados terceirizados que garatissem a eficiência do serviço, acabando com a acumulação de veículos quebrados no pátio. Qualquer peça que precisasse ser adquirida seria providenciada na hora. Todas as viaturas estariam seguradas, de modo que os policiais não tinham que ficar preocupados de serem responsabilizados por acidentes.
Serviço de inteligência
O serviço de inteligência era de inteligência de verdade. Não mais seria uma unidade totalmente administrativa onde os agentes ficavam grudados o dia inteiro no computador lidando com estatísticas ou sistemas. Sendo descentralizado nas delegacias passaria a reunir e fornecer informações para a divisões, quando estas precisassem, para a investigação criminal. Estabeleceria correspondência com o policiamento velado e serviço de inteligência da PM (P2), promovendo intercâmbio de informações e ações. Não haveria mais burocracia para rastrear em instantes a localização dos sinais emitidos pelos aparelhos telefônicos de vítimas pedindo socorro, de suspeitos falando ao telefone ou de aparelhos roubados. O serviço de inteligência coordenaria a infiltração de agentes undercover (disfarçados) com total discrição e suas identidades e as de informantes seriam mantidas sob absoluto sigilo preservando sua integridade.
Corregedoria
A Corregedoria, mais do que uma casa punitiva que coloca medo em todos os policiais, transformaria em sede de orientação e de justiça policial. Até mudaria de nome, passando a se chamar "Assuntos Internos". Ela saberia diferenciar, orientando o bom policial que poderia ter agido erroneamente ou cometido alguma besteira no exercício da função e por outro lado, agindo com firmeza e punindo o mal policial que, dolosamente, se corrompia ou abusava de sua autoridade manchando o nome da instituição.
Academia de polícia
A Academia de polícia, realizaria constantemente cursos para capacitar os policiais com professores altamente capacitados. Suas aulas não seriam mais chatas, possuindo métodos bem didáticos que despertavam o interesse do acadêmico. Teria parcerias e convênios com universidades e com academias particulares possibilitando o preparo físico diário ou semanal dos policiais até mesmo nas regiões distantes da academia de polícia. Cada delegacia deveria possuir um stand de tiro devendo ser fornecido munição para treinamento pelo menos 1 vez por mês. Os policiais errariam muito menos e agiriam muito mais conforme os parametros legais.
Integração
A PC trabalharia realmente de forma integrada com a polícia uniformizada. Não só ficavam juntos, de costas um para o outro, porque eram obrigados pela política governamental, mas atuavam conjuntamente, trocando conhecimentos e se ajudando mutuamente. Se a PM precisar de apoio da PC, vamos colaborar. Se o contrário, ela nos apoie também.
Dessa forma, a Polícia Civil funcionaria às mil maravilhas. A criminalidade decresceria, o povo sentiria-se seguro e o governo tão satisfeito com as metas alcançadas, que até poderia dar substancial aumento de salário aos policiais em reconhecimento aos seus excelentes trabalhos. A PC seria um dos órgãos de maior credibilidade do Estado.
Mas infelizmente é um sonho perdido. Por isso, hoje estão todos se aposentando e todo mundo que passa no concurso e entra pra Polícia Civil, se decepciona, permanece pouco tempo e sai pra qualquer outra coisa melhor. Não é mais uma profissão, é apenas um "bico". Só me resta fazer o mesmo: estudar e cair fora o mais rápido possível. É como diz o Capitão Nascimento: "não vai ficar ninguém"!

PS: O termo "Agente de Polícia" hoje foi trocado pelo "Investigador de Polícia".

Nikolas Försberg
November 16th, 2011, 07:19 AM
01
02
03
04
05
06
07
08
09
10

Sebastianus
November 16th, 2011, 04:33 PM
Saudações Nikolas Försberg, li atentamente o teu valioso testemunho e ainda estou a tentar assimilar essa informação e o que na prática ela se traduz.

Parece-me que o cenário que descreveste permite tirar uma conclusão, os policiais no Brasil encontram-se em quase auto-gestão, os comandantes ou delegados são nomeados mais por questões politicas que pela folha de mérito, o importante é no final do ano as contas darem certinhas com os objectivos traçados pelo governo. A classificação dos crimes acaba por se tornar uma arma de semântica útil para iludir a media e os cidadãos, investigações sérias estão limitadas a casos muito especiais por pressão politica ou exposição mediática. Parece óbvio que também não interessa à classe politica proceder a uma reforma para dotar as policias de maior eficácia, organização e independência pois tornar-se-iam extremamente imprevisiveis, é bem mais confortável lidarem com corruptos e office-boys que com agentes indepedentes, honestos e altamente motivados em prestar um serviço ao país. Nomeaste excelentemente as medidas necessárias a uma reestruturação competente e concerteza que os dirigentes também sabem como ela se executa...simplesmente não interessa, o sistema não ficou assim por acaso nem apenas por icompetência, em parte foi também deliberado.

Para além de não prestarem um bom serviço aos cidadãos, para mim o facto mais grave é a sonegação e falsificação dos números que escondem a verdadeira dimensão da criminalidade no Brasil. Todos sabemos é extremamente alta mas numa época em que o país se prepara para dar um salto enorme na sua projecção internacional não só pelos bons resultados económicos da ultima década como principalmente pela realização dos dois maiores eventos do planeta, o Mundial de Futebol e os Jogos Olimpicos. Por isso importa passar a imagem que a criminalidade está a diminuir, que agora todos os brasileiros tem trabalho e já não se mata com aquela facilidade chocante de outrora. Nesse sentido dei uma olhada aos principais indices criminais do Brasil, por estado e por cidades e deparei-me com uma facto curioso, Rio de Janeiro e São Paulo tem apresentado ano após ano reduções significativas na criminalidade violenta como homicidios, dá a clara sensação que as duas cidades estão em competição para apresentar bons resultados através de estatistas adulteradas. Parece-me óbvio que é impossivel São Paulo ter uma taxa de homicidios inferior a Curitiba e o Rio de Janeiro apenas um pouco superior. Conheço as três cidades e não tem nada a ver o sentimento de insegurança que se sente em SP ou RJ com a capital do Paraná, que apesar de nos ultimos anos registar um aumento no crime ainda é uma cidade à parte no panorama brasileiro, organizada, com menor desnível social e de grande maioria branca.

Oficialmente o numero total de homicidios no Brasil também está a diminuir, cifrando-se na ordem dos 45 mil por ano, sendo que em 2003 atingiu um recorde de 52 mil. Parecem-te crediveis estes numeros Nikolas? Ou estão mascarados?

Tenho um amigo que é ex operacional da ROTA, aposentou-se recentemente porque levou um tiro e ficou algo incapacitado, que agora vive em Portugal e ele diz-me que a situação em São Paulo está desesperante, actualmente os bandidos já não tem respeito nenhum pela ROTA começam logo a atirar. Ele diz-me que há alguns anos atrás ainda não era assim, ainda tinham medo da ROTA mas agora não, mandam logo bala à primeira vista, cerca de 30 colegas dele foram baleados, muitos morreram. Falou-me também que até ao final dos anos 80 São Paulo ainda era uma cidade boa e relativamente segura, a partir daí foi sempre a piorar e com as periferias a crescerem descontroladamente até se tornar o que é hoje. Ainda assim acho que São Paulo é bem melhor que o Rio (que na minha opinião deveria ser destruído com uma bomba atómica).

Outro factor importante que ainda não falámos é o número de policiais pardos e mestiços, na grande maioria altamente corruptos. Poderão os cidadãos confiar numa policia assim? Ou serão eles mais um inimigo perigoso da raça branca?

Ainda assim quero fazer uma ressalva, a maioria dos operacionais e forças de elite no Brasil estão muito melhor preparados e equipados que na maioria dos países da Europa, além de não temerem o confronto aberto e tiroteios. O facto do país já lidar há muitos anos com o problema da violência urbana, narco-tráfico e gangues extremamente numerosos e agressivos fez com que as pessoas e os policiais se adaptássem a essa realidade brutal. Na Europa por via da imigraç

il numismatico
November 26th, 2011, 03:05 AM
Otimo relato Nikolas!

Nikolas Försberg
December 7th, 2011, 11:57 PM
Saudações grande e valoroso Sebastianus!

Posso acrescentar ao que dissemos até agora que:

95% dos policiais do Brasil são iguais e as vezes até piores que prostitutas de esquina.

Porque a PC e PF não vai procurar bandidos dentro do próprio governo? Quem sabe até dentro da própria polícia... mas para eles é mais divertido ficar monitorando o SF para vêr se pegam algum garoto de 16 anos que postou no fórum. Sabem porque? Porque "combater" o racismo esta na moda agora e essas prostitutas querem aparecer no jornal e quem sabe receber um "elogio" de "bom escravo" por fazer o que o sistema manda. Só que eles (policiais) não sabem que estão afundado cada vez mais.

O uso de drogas não é nem mais crime, agora é uma contravenção simples, mas o racismo é a própria encarnação do mal.

Crimes de racismo na internet? Porque a PC e a PF não tomam vergonha na cara e vão caçar pedófilos pela internet? Bah, acho que é melhor caçar garotos de 16 anos que postam em fórums do que caçar safados que querem transar com crianças.

A PC e a PF poderiam muito bem começar a focar as investigações em crimes de verdade ao invés de ficar perdendo tempo em algo que não tem sentido.

Eu já havia dito antes que a fome cria escravos, e por causa do salário no final do mês os policiais fazem coisas ultrajantes. Uns porque acham que o que estão fazendo é o correto e por isso sentem que devem se submeter a tudo por causa de um depósito no final do mês.

Existem casos até de uma certa "vontade de servir" ao sistema. Por isso eu digo, jamais confiem naqueles que são pagos pelo inimigo, pode existir lealdade dividida.

O fato de não se confiar em pessoas que são pagas pelo sistema é algo que serve para mim também. Eu não tenho lealdade alguma com o sistema, mas eu sou funcionário do sistema, desconfiem até de mim. Bah, é óbvio que eu não sou um infiltrado, mas continua valendo a díca lá cima: "...jamais confiem naqueles que são pagos pelo inimigo, pode existir lealdade dividida...", portanto, eu sou pago pelo sistema, por isso a desconfiança deve ser extendida até para mim.

Os poucos policiais que realmente trabalham de verdade são vistos como "caras-problema", e é por causa desses que a coisa ainda não fudeu de vez.

Nikolas Försberg
December 21st, 2011, 10:28 PM
"De professor a policial" (http://www.charlieoscartango.com.br/cot-diversos-artigogeorge.html)

Autor: George L. Kirkham
Professor assistente da Escola de Criminologia da Universidade da Flórida


Como professor de Criminologia, tive problemas durante algum tempo, devido ao fato de que, seguindo a maioria daqueles que escrevem livros sobre assuntos policiais, eu nunca havia sido policial. Contudo, alguns elementos da comunidade acadêmica norte-americana, tal como eu, agiram muitas vezes precipitadamente ao apontar erros da nossa polícia. Dos incidentes que lemos nos jornais, formamos imagens estereotipadas, como as do policial violento, racista, venal ou incorreto. O que não vemos são os milhares de dedicados agentes da polícia, homens e mulheres, lutando e resolvendo problemas difíceis para preservar nossa sociedade e tudo que nos é caro.

Muitos dos meus alunos tinham sido policiais, e eles várias vezes opunham às minhas críticas o argumento de que uma pessoa só poderia compreender o que um agente da polícia tem de suportar quando se sentisse na pele de um policial. Por fim, me decidi a aceitar o desafio. Entraria para a polícia e, assim, iria testar a exatidão daquilo que vinha ensinando. Um dos meus alunos (um jovem agente que gozava licença para freqüentar o curso, pertencente à Delegacia de Polícia de Jacksonville, Flórida) me incitou a entrar em contato com o Xerife Dale Carson e o Vice-Xerife D. K. Brown e explicar-lhes minha pretensão.

Lutando por um distintivo.

Jacksonville parecia-me o lugar ideal. Um porto marítimo e um centro industrial em crescimento acelerado. Ali ocorriam, também, manifestações dos maiores problemas sociais que afligem nossos tempos: crime, delinqüência, conflitos raciais, miséria e doenças mentais. Tinha, igualmente, a habitual favela e o bairro reservado aos negros. Sua força policial, composta por 800 elementos, era tida como uma das mais evoluídas dos Estados Unidos.

Esclareci ao Xerife Carson e ao Vice-Xerife Brown de que pretendia um lugar não como observador, mas como patrulheiro uniformizado, trabalhando em expediente integral durante um período de quatro a seis meses. Eles concordaram, mas impuseram também a condição de que eu deveria, primeiro, preencher os mesmos requisitos que qualquer outro candidato a policial, uma investigação completa do caráter, exame físico, e os mesmos programas de treinamento. Haveria outra condição com a qual concordei prontamente em nome da moral. Todos os outros agentes deviam saber quem eu era e o que estava fazendo ali. Fora disso, em nada eu me distinguiria de qualquer agente, desde o meu revólver Smith and Wesson .38 até o distintivo e o uniforme.

O maior obstáculo foram as 280 horas de treinamento estabelecidas por lei. Durante quatro meses (quatro horas por noite e cinco noites por semana), depois das tarefas de ensino teórico, eu aprendia como utilizar uma arma, como aproximar-me de um edifício na escuridão, como interrogar suspeitos, investigar acidentes de trânsito e recolher impressões digitais. Por vezes, à noite, quando regressava a casa depois de horas de treinamento de luta para defesa pessoal, com os músculos cansados, pensava que estava precisando era de um exame de sanidade mental por ter-me metido naquilo. Finalmente, veio a graduação e, com ela, o que viria a ser a mais compensadora experiência da minha vida.

Patrulhando a rua.

Ao escrever este artigo, já completei mais de 100 rondas como agente iniciado, e tantas coisas aconteceram no espaço de seis meses que jamais voltarei a ser a mesma pessoa. Nunca mais esquecerei também o primeiro dia em que montei guarda defronte à porta da Delegacia de Jacksonville. Sentia-me, ao mesmo tempo, estúpido e orgulhoso no meu novo uniforme azul e com a cartucheira de couro.

A primeira experiência daquilo que eu chamo de minhas “lições de rua” aconteceu logo de imediato. Com meu colega de patrulha, fui destacado para um bar, onde havia distúrbios, no centro da zona comercial da cidade. Encontramos um bêbado robusto e turbulento que, aos gritos, se recusava a sair. Tendo adquirido certa experiência em admoestação correcional, apressei-me a tomar conta do caso. “Desculpe, amigo”, disse eu sorridente, “não quer dar uma chegadinha aqui fora para bater um papo comigo?” O homem me encarou incrédulo, com os olhos vermelhos. Cambaleou e me deu um empurrão no ombro. Antes que eu tivesse tempo de me recuperar, chocou-se de novo comigo e, desta vez, fazendo saltar da dragona a corrente que prendia meu apito. Após breve escaramuça, conseguimos levá-lo para a radiopatrulha.

Como professor universitário, eu estava habituado a ser tratado com respeito e deferência e, de certo modo, presumia que isso iria continuar assim em minhas novas funções. Estava porém, aprendendo que meu distintivo e uniforme, longe de me protegerem do desrespeito, muitas vezes atuavam como um imã atraindo indivíduos que odiavam o que eu representava. Confuso, olhei para meu colega, que apenas sorriu.

Teoria e prática.

Nos dias e semanas seguintes, eu iria aprender mais coisas. Como professor, sempre procurava transmitir aos meus alunos a idéia de que era errado exagerar o exercício da autoridade, tomar decisões por outras pessoas ou nos basearmos em ordens e mandatos para executar qualquer tarefa. Como agente de polícia, porém, fui muitas vezes forçado a fazer exatamente isso. Encontrei indivíduos que confundiam gentileza com fraqueza – o que se tornava um convite à violência. Também encontrei homens, mulheres e crianças que, com medo ou em situações de desespero, procuravam auxílio e conselhos no homem uniformizado.

Cheguei à conclusão de que existe um abismo entre a forma como eu, sentado calmamente no meu gabinete com ar condicionado, conversava com o ladrão ou assaltante à mão armada, e a maneira pela qual os patrulheiros lidam com esses homens – quando eles se mostram violentos, histéricos ou desesperados. Esses agressores, que anteriormente me pareciam tão inocentes, inofensivos e arrependidos depois do crime cometido, como agente de polícia, eu os encarava pela primeira vez como uma ameaça à minha segurança pessoal e a da nossa própria sociedade.

Aprendendo com o medo.

Tal como o crime, o medo deixou de ser um conceito abstrato para mim, e se tornou algo bem real, que por várias vezes senti: era a estranha impressão em meu estômago, que experimentava ao me aproximar de uma loja onde o sinal de alarme fora acionado; era uma sensação de boca seca quando, com as lâmpadas azuis acesas e a sirena do carro ligada, corríamos para atender a uma perigosa chamada onde poderia haver tiroteio.
Recordo especialmente uma dramática lição no capítulo do medo. Num sábado à noite, patrulhava com meu colega uma zona de bares mal freqüentados e casas de bilhares, quando vimos um jovem estacionar o carro em fila dupla. Dirigimo-nos para o local, e eu pedi que arrumasse devidamente o automóvel, ou então que fosse embora, ao que ele respondeu inopinadamente com insultos. Ao sairmos da radiopatrulha e nos aproximarmos do homem, a multidão exaltada começou a nos rodear. Ele continuava a nos insultar, recusando-se a retirar o carro. Então, tivemos que prendê-lo. Quando o trouxemos para a viatura da polícia, a turba nos cercou completamente. Na confusão que se seguiu, uma mulher histérica abriu meu coldre e tentou sacar meu revólver.

De súbito, eu estava lutando para salvar minha vida. Recordo a sensação de verdadeiro terror que senti ao premir o botão do armeiro na radiopatrulha onde se encontravam nossas armas longas. Até então, eu sempre tinha defendido a opinião de que não devia ser permitido aos policiais o uso de armas longas, pelo aspecto “agressivo” que denotavam, mas as circunstâncias daquele momento fizeram mudar meu ponto de vista, porque agora era minha vida que estava em risco. Senti certo amargor quando, logo na noite seguinte, voltei a ver, já em liberdade, o indivíduo que tinha provocado aquele quase motim – e mais amargurado fiquei quando ele foi julgado e, confessando-se culpado, condenaram-no a uma pena leve por “violação da ordem”.

Vítimas silenciosas.

Dentre todas as trágicas vítimas que vi durante seis meses, uma se destaca. No centro da cidade, num edifício de apartamentos, vivia um homem idoso que tinha um cão. Era motorista de ônibus aposentado. Encontrava-os quase sempre na mesma esquina, quando me dirigia para o serviço, e por vezes me acompanhavam durante alguns quarteirões.

Certa noite fomos chamados por causa de um tiroteio numa rua perto do edifício. Quando chegamos, o velho estava estendido de costas no meio de uma grande poça de sangue. Fora atingido no peito por uma bala e, em agonia, me sussurrou que três adolescentes o tinham interceptado e lhe exigiram dinheiro. Quando viram que tinha tão pouco, dispararam e o abandonaram na rua.

Em breve, comecei a sentir os efeitos daquela tensão diária a que estava sujeito. Fiquei doente e cansado de ser ofendido e atacado por criminosos que depois seriam quase sempre julgados por juizes benevolentes e por jurados dispostos a conceder aos delinqüentes “nova oportunidade de se reintegrarem ao convívio da sociedade”. Como professor de Criminologia, eu dispunha do tempo que queria para tomar decisões difíceis. Como policial, no entanto, era forçado a fazer escolhas críticas em questão de segundos (prender ou não prender, perseguir ou não perseguir), sempre com a incômoda certeza de que outros, aqueles que tinham tempo para analisar e pensar, estariam prontos para julgar e condenar aquilo que eu fizera ou aquilo que não havia feito.

Como policial, muitas vezes fui forçado a resolver problemas humanos incomparavelmente mais difíceis daqueles que enfrentara para solucionar assuntos correcionais ou de sanidade mental: rixas familiares, neuroses, reações coletivas perigosas de grandes multidões, criminosos. Até então, estivera afastado de toda espécie de miséria humana que faz parte do dia-a-dia da vida de um policial.

Bondade em uniforme.

Freqüentemente, fiquei espantado com os sentimentos de humanidade e compaixão que pareciam caracterizar muitos dos meus colegas agentes da polícia. Conceitos que eu considerava estereotipados eram, muitas vezes, desmentidos por atos de bondade: um jovem policial fazendo respiração boca-a-boca num imundo mendigo, um veterano grisalho levando sacos de doces para as crianças dos guetos, um agente oferecendo a uma família abandonada dinheiro que provavelmente não voltaria a reaver.

Em conseqüência de tudo isso, cheguei a humilhante conclusão de que tinha uma capacidade bastante limitada para suportar toda a tensão a que estava sujeito. Recordo em particular certa noite em que o longo e difícil turno terminara com uma perseguição a um carro roubado. Quando largamos o serviço, eu me sentia cansado e nervoso. Com meu colega, estava me dirigindo para um restaurante a fim de comer qualquer coisa, quando ouvimos o som de vidros que se partiam, proveniente de uma igreja próxima, e vimos dois adolescentes cabeludos fugindo do local. Nós os alcançamos e pedi a um deles que se identificasse. Ele me olhou com desprezo, xingou-me e virou as costas com intenção de se afastar. Não me lembro do que senti. Só sei que o agarrei pela camisa, colei seu nariz bem no meu e rosnei: “Estou falando com você, seu cretino!”

Então meu colega me tocou no ombro, e ouvi sua confortante voz me chamando à razão: “Calma, companheiro!” Larguei o adolescente e fiquei em silêncio durante alguns segundos. Depois me recordei de uma das minhas lições, na qual dissera aos alunos: “O sujeito que não é capaz de manter completo domínio sobre suas emoções, em todas as circunstâncias, não serve para policial”.

Desafio complicado. Muitas vezes perguntara a mim próprio: “Por que uma pessoa quer ser policial?” Ninguém está interessado em dar conselhos a uma família com problemas às três da madrugada de um domingo, ou em entrar às escuras num edifício que foi assaltado, ou em presenciar, dia após dia, a pobreza, os desequilíbrios mentais, as tragédias humanas. O que faz um policial suportar o desrespeito, as restrições legais, as longas horas de serviço com baixo salário, o risco de ser assassinado ou mutilado?

A única resposta que posso dar é baseada apenas na minha curta experiência como policial. Todas as noites eu voltava para casa com um sentimento de satisfação e de ter contribuído com algo para a sociedade – coisa que nenhuma outra tarefa me havia dado até então.

Todo agente de polícia deve compreender que sua aptidão para fazer cumprir a lei, com a autoridade que ele representa, é a única “ponte” entre a civilização e o submundo dos fora-da-lei. De certo modo, essa convicção faz com que todo o resto (o desrespeito, o perigo, os aborrecimentos) mereça que se façam quaisquer sacrifícios.

Extraído da Revista da Polícia Militar do Rio de Janeiro – n° 5 / Ano III – Agosto de 1988.

Fountaine
December 29th, 2011, 03:00 PM
IMPORTANTE

Relato de um militar brasileiro
As Forças Armadas do Brasil passam por um momento extremamente delicado, com denuncias de todo o tipo, sendo a mais recente o uso de cartão corporativo do governo em despesas não justificadas, envolvendo o alto comando da MB.
Acredito que da forma como vão às coisas, num futuro não muito distante, teremos mudanças tão profundas, que redundarão na criação de uma força de defesa única resultante da fusão de Exercito, Marinha e Aeronáutica.

FA´s totalmente controladas
Atualmente no Brasil, assistimos na mídia, coisas que no passado seriam pura ficção, tais como: Brigadeiros chorando, Brigadeiros amarelando em CPIs, Almirantes de 4 estrelas que gaguejam para dar explicações, Generais que são mandados as favas quando vão pedir recursos... Fora que já fiquei sabendo de muitos oficiais e seus envolvimentos com a maçonaria. As leis do Supremo Tribunal Militar foram aprovadas para desmerecer as altas posições. Em outros tempos lembro de jovens entusiastas a seguir na carreira militar, hoje são poucos pois a maioria prefere seguir outras carreiras... Quero dizer que um General não tem muito poder hoje em dia a não ser ficar assinando papeladas...As vezes os maiores adversários das forças estão dentro do Ministério da Defesa...
Exército impede general de comparecer a debate sobre Internacionalização
O comandante do Exército, general Enzo Martis Peri, informou ao conselho federal da OAB que o comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno "está impedido de comparecer" ao debate que entidade promoverá sobre a internacionalização da Amazônia.
Esse general Heleno foi aquele que oriontou os gays a não optarem pela carreira militar, lembram?
Ele sofreu inúmeras punições... Também o caso do Comandante Enzo M.P que foi processado pelo STM apenas por liberarem os soldados mais cedo por falta de almoço. Entre outros inúmeros casos... É uma vergonha. Fora que o governo brasileiro trata os militares como moleques.

Indústria Bélica Nacional falida
Canhões sendo adaptados para calibres muito inferiores, pois a industria bélica brasileira faliu, o sucateamento irreversível... As Forças Armadas que no passado foram o sustentáculo da elite brasileira, com o fim da ditadura entraram em colapso.
Acho que atualmente não vale mais a pena ser oficial. Não temos mais as oportunidades de outros tempos.
Lembro-me do conselho dado pelo meu comandante, na primeira comissão como 2º Tenente, no inicio da carreira. "Na Marinha nada se faz sem que se esteja bem preparado para a tarefa, portanto prepare-se bem, planejando sua carreira de forma que a sua formação atenda bem a Marinha e principalmente a você também. Lembre-se, diz o ditado: Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é bobo ou não entende da arte."

Fountaine
December 29th, 2011, 03:14 PM
Aqui no Brasil...
Exemplos:
Desrespeito a um símbolo nacional.
6 recrutas fardados dançam uma versão funk do Hino Nacional em um quartel da cidade de Dom Pedrito, no Rio Grande do Sul.
http://www.jb.com.br/pais/noticias/2011/05/27/soldados-dancam-funk-ao-som-do-hino-nacional-e-exercito-abre-inquerito-veja-o-video/

Traíras
Exportando o modelo da terra do tio Sam, onde os maiores vendedores, financiadores e compradores de armas são militares ou ex-militares, na qual possuem informações privilegiadas e consequentemente mais influência, o maior comerciante de armas pesado do Brasil é um ex-brigadeiro da Força Aérea.
http://www.judsonline.com/blog/16691//
Nem vou tocar no assunto quando a casa branca presenteava alguns oficiais para sempre mante-lá informada. Acredito que até hoje é assim...

Qualidade de instrução
Morre na Aman cadete que teria sido agredido por instrutores
http://www.paulopes.com.br/2011/10/morre-na-aman-cadete-que-teria-sido.html

Nikolas Försberg
December 31st, 2011, 12:10 AM
Tanto as Forças Armadas como as Forças Policiais passam por problemas parecidos... DESCASO.
Qualquer um que tenha olhos pode vêr isso. Na realidade, até cego vê isso.

Voltando ao assunto polícia...

Há alguns dias eu estava vêndo caso do Jogador-Macaco-Adriano na TV, onde ele era acusado de ter disparado uma arma de fogo contra a mão de uma mulher que ocupava o veiculo em que ele estava...

Alguém percebeu a quantidade de entrevistas que os policiais deram em relação ao caso? Foram muitas.

Chegaram a autorizar a imprensa a filmar a reconstituição...

Sabem o que é isso?

É vontade de aparecer por parte da polícia. É vontade de mostrar serviço... é um tipo de "obra-para-inglês-vêr".

Cheguei a ficar com vergonha da quantidade de gente querendo aparecer.

Henzo
January 16th, 2012, 11:59 PM
Carta de um Policial a um bandido
Senhor Bandido,

Esse termo de senhor que estou usando é para evitar que macule sua imagem ao lhe chamar de bandido, marginal, delinquente ou outro atributo que possa ferir sua dignidade, conforme orientações de entidades de defesa dos Direitos Humanos.

Durante vinte e quatro anos anos de atividade policial, tenho acompanhado suas “conquistas” quanto a preservação de seus direitos, pois os cidadãos e especialmente nós policiais estamos atrelados às suas vitórias, ou seja, quanto mais direito você adquire, maior é nossa obrigação de lhe dar segurança e de lhe encaminhar para um julgamento justo, apesar de muitas vezes você não dar esse direito as suas vítimas. Todavia, não cabe a mim contrariar a lei, pois ensinaram-me que o Direito Penal é a ciência que protege o criminoso, assim como o Direito do Trabalho protege o trabalhador, e assim por diante.

Questiono que hoje em dia você tem mais atenção do que muitos cidadãos e policiais. Antigamente você se escondia quando avistava um carro da polícia; hoje, você atira, porque sabe que numa troca de tiros o policial sempre será irresponsável em revidar. Não existe bala perdida, pois a mesma sempre é encontrada na arma de um policial ou pelo menos sua arma é a primeira a ser suspeita.

Sei que você é um pobre coitado. Quando encarcerado, reclama que não possuímos dependência digna para você se ressocializar. Porém, quero que saiba que construímos mais penitenciárias do que escolas ou espaço social, ou seja, gastamos mais dinheiro para você voltar ao seio da sociedade de forma digna do que com a segurança pública para que a sociedade possa viver com dignidade.

Quando você mantém um refém, são tantas suas exigências que deixam qualquer grevista envergonhado. Presença de advogados, imprensa, colete à prova de balas, parentes, até juízes e promotores você consegue que saiam de seus gabinetes para protegê-los. Mas se isso é seu direito, vamos respeitá-lo.


Enfim, espero que seus direitos de marginal não se ampliem, pois nossa obrigação também aumentará. Precisamos nos proteger. Ter nossos direitos, não de lhe matar, mas sim de viver sem medo de ser um policial.

Dois colegas de vocês morreram, assim como dois de nossos policiais sucumbiram devido ao excesso de proteção aos seus direitos. Rogo para que o inquérito policial instaurado, o qual certamente será acompanhado por um membro do Ministério Público e outro da Ordem dos Advogados do Brasil, não seja encerrado com a conclusão de que houve execução, ou melhor, violação aos Direitos Humanos, afinal, vocês morreram em pleno exercício de seus direitos.

Autor desconhecido

Henzo
January 17th, 2012, 12:04 AM
De Castelo Branco até Lula

Ao ver Lula defendendo seu filho que recebeu R$ 15 milhões de reais da TELEMAR para tocar sua empresa, Élio Gáspari publicou essa história buscada no fundo do baú:

Em 1966 o presidente Castello Branco leu nos jornais que seu irmão, funcionário com cargo na Receita Federal, ganhara um carro Aero-Willys, agradecimento dos colegas funcionários pela ajuda que dera na lei que organizava a carreira. O presidente telefonou mandando ele devolver o carro.
O irmão argumentou que se devolvesse ficava desmoralizado em seu cargo.
O presidente Castelo Branco interrompeu- o dizendo: "Meu irmão, afastado do cargo você já está. Estou decidindo agora se você vai preso ou não".

E o Lula ainda "sonha" que não existe ninguém nesse país com mais moral e ética que ele.

Perceberam agora a diferenca entre honestidade e canalhice?

Henzo
January 17th, 2012, 12:14 AM
Em um momento inspirado, o autor do texto desabafou em uma comunidade de Direitos Humanos no Orkut sobre o que é ser policial militar (pois criticavam os policiais, só para variar). O texto é de uma pessoalidade ímpar e paradoxalmente gera uma identificação imediata por qualquer PM. Soou quase como uma oração, por isso se você é policial militar leia até o fim e diga se já não se encontrou em alguma situação citada nestas linhas. Caso não seja PM, aconselho do mesmo modo a leitura. Talvez assim entenda o quanto esta profissão é árdua.

ANTES DE SER POLICIAL CIVIL, EU FUI POLICIAL MILITAR;

ANTES DE SER POLICIAL MILITAR, EU FUI CARTEIRO;

ANTES DE SER CARTEIRO, FUI BOMBEIRO;

ANTES DE SER BOMBEIRO, FUI COBRADOR DE ÔNIBUS;

ANTES DE SER COBRADOR DE ÔNIBUS, FUI FUZILEIRO NAVAL;

E ANTES DE SER FUZILEIRO, FUI PALHAÇO DE CIRCO.

PARALELAMENTE A ESTAS PROFISSÕES, SOU DESENHISTA DE QUADRINHOS E PROGRAMADOR DE JOGOS PARA WEB, ALÉM DE LECIONAR HISTÓRIA QUANDO ESTAVA NA UFRN.

Como desenhista de quadrinhos, ouço de alguns, SEMPRE, que sou um desocupado.

Como programador de jogos, ouço de alguns, SEMPRE, que sou um nerd idiota.

Como palhaço de circo, ouço de alguns, ATÉ HOJE, que aquilo é vida de vagabundo.

Como fuzileiro naval, ouvi de muitos, que fui um BONECO DO ESTADO.

Como cobrador de ônibus, ouvi de muitos, que eu era um ladrão, por não ter, às vezes, moedas de R$ 0,01 e R$ 0,05, para dar de troco.

Como carteiro, guardo cicatrizes, para o resto de meus dias, de mordidas de cães e de acidentes de trabalho, como atropelamentos, causados pelos “ZECAS” da vida, além de ouvir DE TODAS AS MÃES COM AS QUAIS ME DEPARAVA, que eu era “O HOMEM DO SACO” que iria raptar as criancinhas.

Como bombeiro, NUNCA recebi um “obrigado”, ao retirar um gatinho de uma árvore, nem por mergulhar num esgoto, para salvar uma pessoa que foi levada por uma enxurrada. Tive que aprender a me ACOSTUMAR com

isso, além de começar a compreender como a linha da vida é tênue e a matéria se desfaz por besteira.

Como POLICIAL MILITAR, enfrentei O MAIOR CHOQUE CULTURAL DE MINHA VIDA, ao ter de argumentar com todo tipo de pessoas, do mendigo ao magistrado, entrar em todo tipo de ambiente, do meretrício ao monastério.

Como POLICIAL MILITAR, fui PARTEIRO, quando não dava tempo de levar as grávidas ao hospital, na madrugada;

Como POLICIAL MILITAR, fui psicólogo, quando um colega discutia com a esposa, diante da incompreensão dela, às vezes, com a profissão do marido;

Como POLICIAL MILITAR, fui assistente social, quando tinha de confortar A MÃE DE ALGUMA VÍTIMA assassinada por não possuir algo de valor que o assaltante pudesse levar;

Como POLICIAL MILITAR, fui borracheiro e mecânico, ao socorrer idosos e deficientes com pneus furados;

Como POLICIAL MILITAR, fui pedreiro, ao participar de mutirões para reconstruir casas destruídas por enchentes;

Como POLICIAL MILITAR, fui paramédico fracassado, AO VER UM COLEGA IR A ÓBITO A BORDO DA VIATURA;


Como POLICIAL MILITAR, fui paramédico realizado, ao retirar uma espinha de peixe da garganta de uma criança;

Como POLICIAL MILITAR, fui apedrejado por estudantes da mesma escola na qual estudei E FUI PROFESSOR, por pessoas do mesmo grêmio do qual participei;

Como POLICIAL MILITAR, fui obrigado a me tornar gladiador em arenas repletas de terroristas, que são os membros de torcidas organizadas, em jogos de times pelos quais nem torço;

Como POLICIAL MILITAR, sobrevivi a cinco graves acidentes com viaturas, nunca a menos de 120km/h, na ânsia de chegar rápido àquela residência onde a moça estava sendo estuprada ou na qual um idoso estava sendo espancado;

Como POLICIAL MILITAR, fui juiz da vara cível, apaziguando ânimos de maridos e mulheres exaltados, que após a raiva uniam-se novamente e voltavam-se contra a POLÍCIA;

Como POLICIAL MILITAR, fui atropelado numa BLITZ, por um desses cidadãos QUE POR MEDO DA POLÍCIA, AFUNDOU O PÉ NO ACELERADOR E PASSOU POR CIMA DE VÁRIOS COLEGAS;

Como POLICIAL MILITAR, arrisque-me a contrair vários tipos de doenças, ao banhar-me com o sangue de vítimas às quais não conhecia, mas que tinha OBRIGAÇÃO de TENTAR salvar;

Como POLICIAL MILITAR, arrisquei contaminar toda a minha família com os mesmos tipos de doenças, pois ao chegar em casa, minha esposa era a primeira a me abraçar, nunca se importando com o cheiro acre de sangue alheio, nem com as manchas que tinha de lavar do uniforme;

Como POLICIAL MILITAR, fui juiz de pequenas causas, quando EM MINHA FOLGA, alguns vizinhos me procuravam para resolver SEUS problemas;

Como POLICIAL MILITAR, fui advogado, separando, na hora da prisão, os verdadeiros delinquentes dos “LARANJAS”, quando poderia tê-los posto no mesmo barco;

Como POLICIAL MILITAR, fui o homem que quase perdeu a razão, ao flagrar um pai estuprando uma filha, ENQUANTO A MÃE O DEFENDIA;

Como POLICIAL MILITAR, fui guardião de mortos por horas a fio, sob o sol, a chuva e a neblina, à espera do RABECÃO, que, já lotado, encontrava dificuldade para galgar uma duna mais alta, ou para penetrar numa mata mais densa;

Como POLICIAL MILITAR, fiquei revoltado, ao necessitar de um leito para minha esposa PARIR, e ao chegar NO HOSPITAL DA POLÍCIA, deparar-me com um traficante sendo operado por um médico particular;

Como POLICIAL MILITAR, fui o cara que mudou TODOS os hábitos para sempre, andando em estado de alerta 25 horas/dia, sempre com um olho no peixe e outro no gato, confiando desconfiado.

Como POLICIAL MILITAR, fui xingado, agredido, discriminado, vaiado, humilhado, espancado, rejeitado, incompreendido.



Na hora do bônus, ESQUECIDO;

Na hora do ônus, CONVOCADO.

Tive de tomar, em frações de segundo, decisões que os julgadores, no conforto de seus gabinetes, tiveram meses para analisar e julgar.

E mesmo hoje, calejado, ainda me deparo com coisas que me surpreendem, pois afinal AINDA sou humano..

Não queria passar pelo que passei, mas fui VOLUNTÁRIO, ninguém me laçou e me enfiou dentro de uma farda, né? Observando-se por essa ótica, é fácil ser dito por quem está “DE FORA”, que minha opinião NÃO IMPORTA, ou que simplesmente, não existe.

AMO O QUE FAÇO E O FAÇO PORQUE AMO. Tanto que insisto em levar essa vida, e mesmo estando atualmente em outra esfera do serviço policial, sei que terei de passar por tudo de novo, a qualquer hora, em qualquer dia e em qualquer lugar.


E O FAREI, SEM RECLAMAR, NEM RECUAR.

Que Deus abençoe a todos.

Henzo
January 17th, 2012, 12:19 AM
O QUE É UM POLICIAL?

"Policiais são humanos (acredite se quiser!) como o resto de nós. Eles vêm em ambos os gêneros, mas na maioria das vezes são do sexo masculino. Eles também vêm em vários tamanhos. Na realidade, depende se você estiver à procura de um deles ou tentando esconder algo. Quase sempre, no entanto, eles são grandes.

Encontra-se policiais em todos os lugares: na terra, no mar, no ar, à cavalo, em viaturas, e até na sua cabeça. Independente do fato de "nunca se encontrar nenhum quando se quer um", eles geralmente estão por perto quando mais se precisa deles. A melhor maneira de conseguir um é geralmente por telefone.

Policiais dão palestras, fazem partos, e entregam más notícias. Se exige que eles tenham a sabedoria de Salomão, a disposição de um cavalo corredor e músculos de aço - muitas vezes são até acusados de terem o coração fundido no mesmo metal. O policial é aquele que engole a saliva a grandes penas, anuncia o falecimento de um ente querido e passa o resto do dia se perguntando por que foi escolher esta porcaria de trabalho.

Na TV, o policial é um idiota que não conseguiria encontrar um elefante numa geladeira. Na vida real, se espera dele que ele encontre um menininho loiro "mais ou menos desta altura" numa multidão de quinhentas mil pessoas. Na ficção ele recebe ajuda de detetives particulares, repórteres e de testemunhas "eu sei quem foi". Na vida real, quase tudo que ele recebe do povo é "eu não vi absolutamente nada".

Quando ele dá uma ordem dura, ele é grosso. Se ele lhe soltar com uma palavra gentil, é uma mocinha. Para as crianças, ele é às vezes um amigo, outras um monstro, dependendo da opinião que tem seus pais a respeito da Polícia. Ele "vira a noite", dobra escalas, e trabalha aos sábados, domingos e feriados; sempre o chateia muito quando um engraçadinho vem lhe dizer "epa, este fim de semana é Carnaval, estou à toa, vamos à praia", esta é a época do ano em que eles trabalham vinte horas por dia.
O policial é como aquela menininha, que quando é boa, é muito, muito boa, mas quando é má, é abominável. Quando um policial é bom, ele "é pago para isso". Quando comete um erro, "ele é um corrupto, e isso vale para todos os outros da raça dele". Quando ele atira num assaltante, ele é um herói, exceto quando o assaltante é "apenas um garoto e qualquer um podia ver".

Muitos têm casas, algumas cobertas de plantas, e quase todas cobertas de dívidas. Se ele dirigir um carro de luxo, ele é um ladrão. Se for um carro popular, "quem ele pensa que está enganando?" O crédito dele é bom, o que ajuda bastante porque o salário não é. Policiais educam muitos filhos, muitas vezes, os filhos dos outros.

Um policial vê mais sofrimento, sangue, problemas e alvoradas que uma pessoa comum. Como os carteiros, os policiais têm que estar trabalhando independente das condições do tempo. Seu uniforme muda de acordo com o clima, mas sua maneira de ver a vida permanece a mesma; na maioria das vezes, é entristecida, mas no fundo, esperando um mundo melhor.

Policiais gostam de folgas, férias e café. Eles não gostam de buzinas, brigas familiares, e principalmente, autores de cartas anônimas. Eles têm sindicatos e federações mas não gostam de fazer greve. Têm que ser imparciais, educados, e sempre devem lembrar do slogam "a seu serviço". Às vezes é difícil, especialmente quando um indivíduo lhe lembra, "eu pago impostos, portanto pago seu salário".

Policiais recebem elogios por salvar vidas, evitar distúrbios, e trocar tiros com bandidos (de vez em quando, sua viúva recebe o elogio!). Mas algumas vezes, o momento mais recompensador é quando, após fazer alguma gentileza a um cidadão, ele sente o caloroso aperto de mão, olha nos olhos cheios de gratidão e ouve, 'obrigado e Deus te abençoe'."

Henzo
January 17th, 2012, 12:26 AM
Os policiais que se cansam da bandidagem acabam sempre optando por uma das duas opções abaixo:

Opção Legal.

Durante operação policial na região XX, a equipe XX, deparou com o autor, o qual ao perceber a presença policial tentou sacar uma arma de fogo, momento em que TODOS os Policiais que compunham a equipe, e por já estarem com as armas em pronta condição de uso, realizaram disparos contra o autor, impedindo assim que este viesse a causar danos à comunidade local ou aos agentes públicos que cumpriam seu dever constitucional. O autor foi socorrido imediatamente mas não resistiu aos ferimentos tento entrado em óbito no hospital XX, onde fora atendido de acordo com a ficha tal. Foi apreendido em poder do autor um revólver calibre .22, municiado com 6 (seis) cartuchos intactos. no local, conhecido como zona quenta de criminalidade, não havia testemunhas presentes, e apesar dos esforços dos policiais, não foi possível localizar qualquer testemunha, tendo, ainda, em vista que no local impera a chamada "lei do silêncio"...


Opção Arbitrária.

Está desaparecido desde XX/XX/XX, Fulano de tal. Segundo testemunhas que não querem se identificar por medo de represálias, quatro homens encapuzados, invadiram a casa do Fulano e o levaram à força para local incerto e desde então não foi mais visto.

Foi localizado em uma mata na região XX o corpo de Fulano de tal, o qual estava desparecido desde XX/XX/XX. Segundo informações da Polícia, o cadáver apresentava marcas de tortura e estrangulamento e foi encontrado em um local de difícil acesso.

Duff Hill
January 18th, 2012, 07:39 PM
Enquanto os brancos e ricões ficam pensando no próprio umbigo, os MESTIÇOS E PRETOS dão um exemplo de coragem e estão a enfrentar o "Estado das forças policias"...

http://www.youtube.com/watch?v=vhuElGhdIqE&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=H8NDbfg_qos&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=XgPQ1mDSJWA&feature=related

União, valentia, sacrifício, logo => Aptidão para sobrevivência.
Aprendam isso, eles vão ficar, nós vamos sumir.

Não adianta se esconder, a maré está se formando. Enquanto não aprendermos e enculturarmos a luta pela sobrevivência, vamos ficar a se lamentar e à enxugar gelo.

Sebastianus
January 20th, 2012, 10:56 AM
http://www.publico.pt/Sociedade/superintendentes-da-psp-alertaram-para-situacao-insustentavel-na-corporacao-1530001


Superintendentes da PSP alertaram para situação “insustentável” na corporação
20.01.2012 - 16:31 Por Lusa


Os superintendentes da PSP alertaram nesta sexta-feira para a situação “insustentável” na corporação, considerando que o “impasse que se vive há mais de dois anos” na Polícia põe em causa o funcionamento operacional e a “legalidade dos actos praticados”.

Numa carta enviada na quarta-feira ao ministro da Administração Interna, a que agência Lusa teve acesso, 26 dos 30 elementos mais graduados da PSP consideram que “os factores de instabilidade” que afectam a instituição têm a sua origem em “factores externos” e “necessitam também de decisões políticas urgentes, que façam justiça à especificidade da função policial”.

“O compreensível descontentamento e desmotivação, potenciados pela falta de perspectiva de resolução a curto prazo dos principais problemas da instituição e dos seus profissionais, aproximam-se de níveis insustentáveis, atingindo pessoal de todas as carreiras e começando também a afectar a moral e o normal exercício da função de comando e a colidir com alguns dos principais valores institucionais e deontológicos”, lê-se na carta.

Fonte da corporação disse à agência Lusa que os superintendentes entregaram a carta, intitulada “Reflexões dos superintendentes sobre actual situação da PSP”, ao director nacional da PSP, que, posteriormente, a deu pessoalmente ao ministro Miguel Macedo.

Na carta, os superintendentes manifestam-se preocupados com a actual situação na corporação, sublinhando que o “impasse, que se vive há mais de dois anos, com a não implementação integral do estatuto profissional e com a falta de decisões e de nomeações pela tutela para vários cargos hierárquicos (que continuam a ser assegurados em regime de gestão corrente), põe em causa o enquadramento operacional e funcional, bem como a legalidade dos actos praticados, numa altura em que, mais do que nunca, é exigível uma força policial coesa e disciplinada”.

Na missiva, os mais graduados da PSP referem que a Polícia de Segurança Pública é a “instituição policial com a menor despesa e com menor número de dirigentes ´per capita´”.

“Nos últimos 10 anos foram atribuídas novas competências à PSP, designadamente em termos de investigação criminal, ordem pública, programas especiais, segurança privada e missões internacionais, bem como foi alargada a área de responsabilidade territorial nos grandes centros urbanos em cerca de 700.000 pessoas, sem que os recursos orçamentais, materiais e humanos tivessem acompanhado efectivamente o referido esforço”, lê-se na missiva.

Os superintendentes referem igualmente que “apesar dos sucessivos constrangimentos orçamentais e financeiros”, a Polícia tem demonstrado “capacidade e eficiência operacional” nas mais variadas e complexas operações policiais.

Porém, sustentam que aos agentes, chefes e oficiais da PSP tem sido aplicado “o rigor orçamental, não tendo ocorrido qualquer ato de gestão de pessoal que implique valorizações remuneratórias”, como tem acontecido noutras forças e serviços de segurança e forças armadas.

“Tal tratamento diferenciado é um dos principais factores de descontentamento em todas as categorias hierárquicas e tem potencial para afectar a motivação, coesão e a disciplina”, dizem, sustentando também que “há muito tempo que a PSP faz muito, com pouco”.

No entanto, chamam a atenção para as “consequências imprevisíveis na segurança das populações” que podem ter os “cortes adicionais nas despesas de funcionamento e de investimento”.

Na missiva, com 12 pontes, os superintendentes reiteram a confiança na actual direcção nacional da PSP.

A carta é assinada pelos comandantes dos comandos de Lisboa, Porto, Braga, Coimbra, Aveiro, Bragança, Setúbal, Açores, da Unidade Especial de Polícia, directores de departamentos e dos dois estabelecimentos de ensino da PSP.

Henzo
January 20th, 2012, 03:41 PM
Antes que algum espertinho venha me dizer que os policiais que aparecem nesse video são não-brancos... " "é mesmo? se não me falassem eu nem ia saber?!" " É óbvio que os seres que aparecem no filme são não-brancos, mas é a situação em que a polícia brasileira se encontra há muito tempo.

http://www.youtube.com/watch?v=3ZwOn8p1yRE

http://www.youtube.com/user/videodepolicia/videos

Nikolas Försberg
May 20th, 2012, 12:16 AM
Alguns filmes sobre a polícia brasileira.

Tropa de Elite I - COMPLETO

Tropa de Elite - Filme Completo

A história se passa em 1997, quando o papa João Paulo II visitou o Rio de Janeiro, e o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), a Tropa de Elite da polícia do Rio de Janeiro, foi encarregada de sua segurança. O Capitão Nascimento era comandante do esquadrão designado. Ele queria deixar o posto, pois estava prestes a ser pai e tinha ataques frequentes devidos ao estresse e a dificuldade de realizar o seu trabalho na corporação, mas precisava antes encontrar um substituto à altura. Aos poucos, foi começando a enxergar como candidatos, os aspirantes Neto e Mathias, que também estavam indignados com a grande corrupção na Polícia Militar. Agora Nascimento não só tem a missão de proteger o papa como também treinar ao máximo seus substitutos e o mais difícil, cuidar de sua família.

Tropa de Elite II - Filme Completo

Tropa de Elite II: O Inimigo agora é Outro - Filme Completo

O filme começa in medias res, apresentando Nascimento saindo do Hospital Beneditino. Seus passos estão sendo observados por um grupo de homens que se comunica através de rádio transmissores. Enquanto dirige seu carro, ele é abordado por um outro veículo, do qual saem homens armados que começam a alvejar o automóvel. Enquanto ocorre o atentado, Nascimento, como narrador, diz que, embora possa ser considerado "um clichê de filme americano", chegar perto da morte o faz recordar o que havia ocorrido para que chegasse até aquele ponto.

Um flashback narra os acontecimentos de quatro anos antes, quando uma divisão do BOPE comandada por Nascimento e André Mathias se envolve no controle de uma rebelião no presídio Bangu I. Durante a rebelião, o criminoso Beirada, com a conivência dos agentes responsáveis pela segurança da unidade penal, foi capaz de dominar o presídio e assassinar seus adversários. Com a situação em escalada, o professor de história Diogo Fraga é chamado ao presídio. Membro de uma ONG dedicada à defesa dos Direitos Humanos, Fraga é chamado numa tentativa de negociar o fim da rebelião. O ativista sucede em negociar a libertação dos reféns, mas Mathias se precipita e, descumprindo uma ordem de Nascimento, ingressa na área controlada por Beirada, o que faz com que Fraga seja tomado como refém. Após Beirada ser convencido a libertar Fraga, Mathias atira contra o criminoso, matando-o.

As consequências da ação de Mathias, tanto para ele quanto para Nascimento, são o fio condutor do filme: Mathias é usado como bode expiatório e é expulso do BOPE, mas Nascimento, visto como herói pela população, é nomeado para o cargo de Subsecretário de Inteligência da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro.

Uma vez na Secretaria, Nascimento é capaz de articular uma completa reestruturação do BOPE, aumentando seu efetivo e modernizando seus equipamentos. Essa reestruturação o auxilia no combate ao tráfico de entorpecentes, e, com o passar do tempo, a Secretaria é capaz de encerrar as atividades de traficantes na maior parte das favelas da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Desbaratar o crime organizado, ao contrário do que Nascimento planejara, não contribuiu para a diminuição da corrupção, mas fez surgir uma nova organização criminosa, as "milícias". No filme é retratada a ascensão de um policial militar corrupto, o Major Rocha. Rocha percebe que, ao eliminar a figura do traficante, ele não estaria deixando de receber a propina que vinha recebendo, mas sim poderia passar a controlar diretamente a comunidade, eliminando assim o intermediário e tendo lucros maiores. Assim, ele e seu grupo passam a comandar uma comunidade.

Comprar o apoio das lideranças das comunidades significaria a criação de verdadeiros currais eleitorais. Ciente disso e visando se beneficiar politicamente das regiões controladas pelas milícias nas próximas eleições, o Governador do Rio de Janeiro se associa ao Deputado Estadual Fortunato, ao Secretário de Segurança Pública e ao Major Rocha para forjarem uma situação que justificasse a invasão do bairro do "Tanque", uma comunidade que representaria relevante acréscimo na quantidade de eleitores. Membros da milícia invadem a delegacia da comunidade, e saqueiam a reserva de armamentos da mesma. Em seu programa de televisão, Fortunato polemiza o ocorrido, atribuindo aos traficantes em atuação na comunidade a responsabilidade, e exigindo providências do Governador do Estado, que ordena à Nascimento e à Secretaria de Segurança que planejem uma operação para invadir a comunidade, expulsar os traficantes e encontrar as armas. Nascimento se opõe à operação, por não ter encontrado, dentre as escutas telefônicas instaladas na comunidade, nenhuma prova de que as armas estariam lá, mas é voto vencido frente à afirmação do Coronel Fábio de que um informante de seu Comando já teria imputado a autoria dos crimes aos traficantes da comunidade.

Mathias, reintegrado ao BOPE por sugestão do Major Rocha e por influência do Dep. Fortunato, é escolhido para ser o líder de campo da operação, que é bem-sucedida em eliminar a maior parte dos traficantes da área. As armas, entretanto, não são encontradas, com o líder dos traficantes negando ter sido o responsável pelo roubo, mesmo após ser interrogado. Mathias questiona Fábio sobre a procedência da denúncia, e exige uma explicação, porém é assassinado pelos homens de Rocha. A morte de Mathias e o fracasso em encontrar as armas faz com que Nascimento torne a questão algo pessoal.

ROTA COMANDO - Filme Completo

Rota Comando - Filme Completo

O Filme, se passa na cidade de São Paulo, e conta a história das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar - ROTA, combatendo o crime. Gênero de ação e Policial.

O filme recebeu críticas bastante desfavoráveis, sendo chamado de "Tropa de Elite genérico", comparado a uma tentativa de "pegar carona" no sucesso José Padilha, porém repleto de situações previsíveis e com tantos personagens e histórias paralelas que não é possível ao espectador se identificar ou compreender profundamente nenhum deles.[1] o filme tem uma grande quantidade de clichês, como o policial que sonha fazer parte do batalhão, o policial que ganha pouco, também expôs o batalhão ao ridículo em uma cena que a viatura tomba na avenida, deixando a entender que os policiais da ROTA são mal preparados e a cena onde um policial da ROTA é morto pelo traficante, contradizendo o dizem os policais da corporação ao afirmarem que ninguém "troca" tiro com a ROTA

Nikolas Försberg
June 2nd, 2012, 05:36 AM
Suspeito para Sempre (http://www.casodepolicia.com/2010/05/19/suspeito-para-sempre/)

Dia desses, era tomado o depoimento de uma mulher em um inquérito policial. Um caso clássico de “saidinha de banco”, no qual os criminosos seguem a vítima que retira dinheiro em instituição financeira, para assaltá-la. Muito, muito comum aqui na Cidade Maravilhosa, frequentemente com vítimas fatais.

Dessa vez, porém, os bandidos se deram mal. Um policial de folga presenciou o roubo, e, percebendo que o criminoso iria atirar contra a vítima, que resistia a entregar o dinheiro, interveio, quase sendo baleado, mas conseguiu reagir e ferir um dos assaltantes. O outro assaltante largou para trás seu parceiro de crime, e conseguiu fugir.

Para a sorte do assaltante ferido, como o crime estava sendo cometido em uma rua muito movimentada, passava uma ambulância, que o levou para o hospital… onde, para a sorte dos cidadãos de bem, acabou morrendo.

A testemunha que prestava declarações era esposa do criminoso morto. Este fato aconteceu há alguns meses atrás, mas como ela havia se mudado para outro município, só agora era ouvida. Revelou que, à época da ocorrência, ficara indignada, pois no hospital, o policial militar de plantão lhe dissera que, com certeza, pela localização dos tiros, o bandido havia sido executado. Lá ela conseguiu o nome do policial civil que tinha ido até o hospital.

Em casa, procurou na internet o nome deste policial, e viu notícias de uns 6 anos atrás, sobre a morte suspeita de alguns traficantes em uma determinada favela. Diversos policiais estavam sendo acusados de executar barbaramente dois homens que já estavam detidos.

A esposa do assaltante neste momento já pensava em procurar o Ministério Público e associações de direitos humanos. Ora, o policial que atirou em seu marido era um “matador perigosíssimo e bárbaro”, segundo os jornais, e no hospital, outro policial lhe garantiu que ele foi executado. Se viu tentada a levar o caso para a imprensa, denunciar a suposta execução sumária. Mas ficou com medo, e desistiu. Seu filho, ainda criança, jurou que iria se tornar Delegado de Polícia e um dia prenderia esse policial, queria olhar no olho dele, chamá-lo de assassino, se vingar fazendo o certo. A sogra, que também compareceu na delegacia, revelou que rezara para que todo mal abatesse o policial e sua família, fez despacho e tudo.

Contada a historinha, vamos aos fatos: O policial, cujo nome ela conseguiu no hospital, não tem nada a ver com a reação ao roubo que fora praticado. Este policial apenas foi mandado para o hospital para tomar conta do bandido ferido, já que, se ele ficasse vivo, deveria ser preso em flagrante por roubo. Azar desse policial, que anos atrás havia sido acusado injustamente da morte daqueles traficantes, e, só por isso, já fora visto imediatamente como “matador” pela nossa testemunha. Uma coisa levava a outra.

Porém, o que as buscas feita pela testemunha na internet não revelaram, foi que esse policial, apesar de ter sofrido muito na época, quase perdendo o emprego, foi inocentado pela Justiça, provando que agiu corretamente e dentro da lei. O clamor popular gerado pela imprensa, e sua exploração sensacionalista não foi mais forte que as provas da verdade. Mas se você fizer buscas procurando o desfecho do caso, nada vai encontrar. Dezenas de reportagens acusando o policial, com fotos e entrevistas do secretário de segurança da época humilhando o servidor; a corregedoria declarando que o servidor seria demitido. E nenhuma reportagem comentando que depois o policial foi inocentado, restaurando sua moral, revelando que ele era inocente de todas aquelas acusações.

Veja só, após tanto tempo, por um conjunto de fatores sem conexão, este policial poderia se ver novamente nas capas dos jornais, sua vida vasculhada, sua moral achincalhada. Tudo porque, na exploração midiática, não há regras. Acusa-se, condena-se e fim de papo; igual fazem os traficantes nas favelas. Não importa se o cara era inocente na verdade, quem tinha que se promover já o fez, quem tinha que ganhar dinheiro já ganhou, e ponto final.

Hoje, nossa testemunha já recolocou os pés no chão. Quando dissemos que o policial amaldiçoado por eles por um bom tempo, não foi o que atirou contra o ladrão, ela ficou chocada. Hoje reconhece que seu marido era criminoso, e que buscou a própria morte no afã de manter seu vício em drogas e ganhar dinheiro fácil, na vida do crime. Percebeu que era o marido bandido quem a mantinha numa vida miserável, e agora, sem ele, finalmente ela tem uma vida digna conquistada com seu trabalho. E seu filho quer ser policial. Agora, só resta torcer para que as maldições e pragas feitas contra o policial que entrou de bucha na estória, não tenham dado certo…

Folga Perdida (http://www.casodepolicia.com/2008/07/29/folga-perdida/)

O fato: dia desses, Charlie seguia em seu carro, e ia aproveitar a folga para passar o dia com sua família, coisa rara. Estava ele dirigindo, sua esposa no banco do carona e seu filho de 4 anos no banco de trás. O sol forte e convidativo para um passeio na praia, ou em qualquer outro lugar onde os gastos não ultrapassassem a quota de 50 reais, estabelecida para o lazer mensal da família, após pagas as contas fixas e poupança para gastos emergenciais.

Parado em um sinal de trânsito, enquanto conversava com a esposa, percebeu a aproximação de uma motocicleta com dois homens. Ambos usavam capacete, e o que estava na garupa levava a mão direita apoiada na cintura. Imediatamente, Charlie já se preparou para uma possível reação em caso de assalto. Se desse para reagir, ótimo, senão tentava jogar a arma debaixo do banco, e rezar. A motocicleta, porém, passou direto ao lado de seu carro, e parou junto à um táxi, também parado no sinal. O homem da garupa desceu da moto, já apontando uma pistola cromada, que refletia a intensa luz do sol daquele dia de folga. “Passa o dinheiro!”, gritou o homem, enquanto apontava a arma para um passageiro, um senhor já com certa idade, que seguia no banco traseiro.

Charlie ameaçou descer do carro e intervir, mas foi contido pela esposa. “Tá maluco, nosso filho está aqui no carro!”. Charlie ponderou, e se conteve. Enquanto o marginal gritava, gesticulando com a arma em sua mão direita, o velho senhor parecia relutante. O assaltante, a cada fração de segundo, mostrava-se mais violento. “Ele vai atirar no coroa, ele vai matar o cara!”, gritou a esposa de Charlie. “Vai lá ajudar…”, enquanto pulava para o banco de trás, se jogando no chão do carro com a criança. Mal a esposa terminou a frase, Charlie já descia de seu carro, com a disposição de um pitbull, o coração batendo a mil por hora. Empunhando a arma em posição sul (apontando para o chão), progrediu pelo corredor irregular, formado pelos carros mal parados, e apontando para o criminoso… “Pára! Polícia!”. Foi o que bastou. O criminoso virou-se, já com a arma apontada para Charlie, e fez dois disparos, no susto. Nenhum atingiu o policial, que atirou três vezes.

O mundo entrou em câmera lenta. Era possível ver os projéteis, um após outros, estourarem no peito do criminoso. Dois no peito, um na barriga. Enquanto o corpo do marginal tombava ao solo, o comparsa que havia ficado sobre a motocicleta acelerou, fazendo o motor gritar, agudo. Instintivamente, Charlie efetuou mais um disparo. Errou o fugitivo, mas acertou o pneu traseiro, o que não foi o suficiente para impedir a fuga do piloto, que habilmente controlou o veículo e sumiu de vista.

Uma ambulância passava naquele exato momento e socorreu o criminoso baleado. Charlie lembrou de uma velha piada. “É o cúmulo da sorte ser atropelado por uma ambulância…” e logo em seguida chegaram duas viaturas da PM. Já conhecidos de Charlie, se cumprimentavam e perguntavam se estava tudo bem, quando populares vieram correndo dizendo que o criminoso que escapara, abandonara a motocicleta alguns quarteirões à frente, e viram quando ele saltou e, antes de correr subindo uma rua íngreme, retirou da cintura uma pistola, e a colocou na mochila.

Arrecadada a arma do bandido ferido, arrecadada a motocicleta, Charlie e os militares foram para a delegacia da área. Consultado o sistema de informação policial, foi verificado que a moto não era roubada, não constava ocorrência. E enquanto o registro era digitado, ouviu-se no rádio: “3ª DP, comunicando o roubo de uma motocicleta…”. Era a mesma motocicleta. Só que a pessoa que comunicava o roubo dizia que tinha sido assaltada dez minutos antes, ou seja, depois do roubo impedido por Charlie. Burros. Pausa na ocorrência, foram até a outra delegacia, que registrava o falso roubo. A suposta vítima, um terceiro homem, acabou confessando que o roubo da moto era mentira. Mas o veículo estava em nome de uma mulher, também presente comunicando o falso roubo. Era a mãe do marginal que fugiu. Os dois foram autuados por falsa comunicação de crime. O assaltante que foi socorrido morreu no hospital. O que fugiu, não foi mais encontrado naquele dia.

Eram 8 da noite quando as ocorrências terminaram, e Charlie pôde voltar para casa. Cansado, desculpou-se com seu filho, que acabou passando o dia em casa vendo televisão. No dia seguinte estava de plantão, e tinha que chegar às 4 da madrugada pois fora convocado para uma operação em uma das favelas na zona sul do Rio.

… talvez continue…

De Plantão na DP (http://www.casodepolicia.com/2008/09/03/de-plantao-na-dp/)

Durante uma investigação de pequeno vulto, Charlie acabou descobrindo um esquema de sonegação fiscal de uma série de restaurantes de uma rua tradicional do centro da cidade. Ele coletou tantos dados quando pôde, e fez um relatório completo noticiando diversos crimes contra a economia popular e administração pública, e protocolou em sua delegacia, esperando um despacho para autorizar o início formal das investigações. No dia seguinte o boletim interno da polícia trazia o nome de Charlie, transferido para uma delegacia do outro lado da cidade.

Não se incomodou, sabia que a punição era temporária e que em semanas conseguiria voltar a trabalhar próximo de casa. Dois dias depois, apresentou-se em sua nova lotação, sendo escalado para preencher a mesa de plantão, no atendimento das vítimas. Lá ele dividia a tarefa com outro policial, que pouco depois entrou de licença médica.

As 24 horas de plantão eram cansativas. Na verdade pareciam durar bem mais do que 1.440 minutos, contados um a um no velho relógio de pulso. Ele não fazia investigação alguma, e o trabalho era cansativo mas fácil, apenas colocar no papel os relatos das vítimas.

O problema é que o prédio onde funcionava a DP era um lixo. Frequentemente com falta d’água, paredes cheias de mofo, e infestada de insetos. Vez ou outra pegava-se pensando como seria bom se os ratos que passeavam de um lado para outro comessem todos aqueles mosquitos.

Durante o dia, conseguia sair da mesa de plantão para almoçar e ir ao banheiro, graças à ajuda de um policial de outra seção que segurava as pontas, ou mesmo do rapaz da limpeza, que decorou a frase “O Sr. pode aguardar um pouquinho? É que o policial daqui foi resolver um problema rápido e já está voltando. Se quiser pode voltar mais tarde que ele te atende…”.

Durante a noite era pior. Acabado o horário de expediente, só Charlie e o carcereiro ficavam na DP. O carcereiro ficava trancado com os presos nos fundos da delegacia, observando em um frenético regime de revezamento a televisão com sinal chuviscado que passava um filme antigo e o sistema de câmeras das celas abarrotadas de presos. Cumpria pena em regime fechado parcelado, sempre dizia.

Uma noite, por volta de 23:00 horas, Charlie atendeu uma vítima de roubo de carro. Fez o registro enquanto tentava telefonar para a central comunicando a ocorrência, para que o veículo passasse a constar como roubado. Essa era a pior parte. Os dois números de contato só davam ocupado, a tarefa normalmente consumia mais de uma hora em tentativas. Desta vez durou mais, só dava ocupado, ocupado, ocupado.

O relógio marcava duas da madrugada, Charlie atendia uma vítima de agressão, quando o telefone tocou.

- terceira DP, boa noite.
- Quem tá falando?
- É da delegacia, policial Charlie falando, quer falar com quem meu amigo?
- Aqui é o Dr. Pompeu da corregedoria. É você o encarregado do plantão de hoje?
- Pois não corregedor, sim, só tem eu aqui, era para ter outro policial, mas…
- Olha só, eu quero saber porque teve um carro roubado que foi registrado aí e até agora a central não foi comunicada?

Charlie respirou com força, puxando todo ar que podia, e começou a emendar palavras.

- Olha só, sr. corregedor, eu tô sozinho trabalhando nessa porcaria de delegacia caindo aos pedaços, não tem nem água para beber, já pedi uma porrada de vezes para colocar mais um aqui para dividir comigo. Estou há 13 horas aturando bêbado encrenqueiro, criança chorando e um monte de reclamação que, diga-se de passagem, quem devia ouvir é o governador ou alguém aí de cima…

Fez uma pausa. Silêncio total do outro lado da linha. Ouviu um suspiro.

- E ainda, minha mulher não pára de ligar porque eu tenho que dar um jeito de pagar a droga da conta de luz que está dois meses atrasada e vão cortar. Tô morrendo de vontade de cagar mas não posso sair da mesa porque toda hora chega alguém para fazer RO, e mesmo que desse nem dá vontade de ir no banheiro aqui do plantão, que parece o esgoto da cidade. E a porcaria do telefone de contato com a central para comunicar o roubo de carro só dá ocupado, todo plantão é isso. Não sei se nêgo tira a porra do telefone do gancho para ver novela ou se não dão conta do serviço por lá também, mas o fato é que se você ligar pra lá e conseguir ser atendido hoje, eu dou minha bunda, dou a bunda, tá entendendo?

Charlie parou de falar e ficou ouvindo o silêncio no telefone. A mulher que estava sendo atendida, que reclamava do som alto na casa do vizinho, mastigava um chiclete e olhava para baixo.

- Tudo bem então, policial, boa noite – despediu-se o corregedor, desligando logo em seguida.

O plantão acabou, Charlie foi para casa. Imaginava para onde seria transferido antes do próximo dia de trabalho. Não foi. Assumiu o plantão seguinte.

Quando fazia mais um registro de injúria, calúnia e difamação, o delegado titular entrou na DP, e quando passava em frente ao plantão virou-se para Charlie:

- Você é o Charlie?
- Sou eu dr.
- O dr. Pompeu mandou um abraço – disse rindo, e subindo as escadas.

Charlie ficou mais três semanas no plantão da 111ª DP, sem ser incomodado. Depois conseguiu uma transferência para uma delegacia próxima de casa.

Nikolas Försberg
October 6th, 2012, 12:18 PM
PMs denunciam maquiagem de BOs.

Policiais militares de Juiz de Fora relatam sofrer pressão por parte de superiores para mascarar a natureza das ocorrências, de forma a reduzir as estatísticas de crimes violentos. A maquiagem dos Registros de Eventos de Defesa Social (Reds, o antigo BO) vem sendo denunciada pela Tribuna há dois anos. Agora, pela primeira vez, militares se dispuseram a revelar o esquema: "Há uma pressão psicológica muito grande para que as naturezas sejam mudadas. O policial sabe que a ela não corresponde àquele crime, mas se vê obrigado a registrar da forma errada, sob pena de sofrer represálias", denuncia um PM lotado no 2º Batalhão, responsável pelo Centro e regiões Leste, Sudeste e Nordeste. Outro militar, este do 27º Batalhão, responsável pela zonas Sul, Norte e Cidade Alta, detalha o procedimento: "Você está de serviço, na viatura ou no posto policial, e se depara com uma vítima que relata ter sido roubada. Ela diz que o cidadão apontou a arma e exigiu o dinheiro. Roubo, certo? Não. Você passa a situação, via rádio, para a CPU (Coordenação de Policiamento da Unidade) ou para o oficial, e este determina que você registre como extorsão."
Esta situação do roubo à mão armada registrado como extorsão é mais comum porque este crime não integra o Índice de Criminalidade Violenta (ICV), elaborado pelo Estado e apresentado à sociedade como forma de medir a violência. Pelo mesmo motivo, também há casos de tentativa de homicídio sendo tratados como lesão corporal e homicídio consumado sob a alcunha de encontro de cadáver. As pressões pela maquiagem de BO teriam quatro origens: as companhias, os batalhões, o Centro de Operações da PM (Copom) e a CPU. "São várias as forças que tentam encobrir os registros", reforça o policial do 2º Batalhão.
Além de refletir na queda do ICV, o mascaramento dos BOs teria como objetivo o recebimento do prêmio por produtividade, oferecido pelo Governo do estado aos funcionários públicos que atingem as metas estabelecidas pela política de Acordo de Resultados. "Esse valor geralmente é pago em outubro e representa cerca de 80% do salário do militar. Para a PM, o que gera o prêmio é a redução do ICV e o aumento de apreensões de armas de fogo e de operações", diz um dos PMs.
Revoltados, os militares, que já lidam com a falta de estrutura e baixos salários pagos às patentes inferiores, enxergam, no mascaramento dos Reds, mais um desestímulo à atividade policial. "Muitos estão indignados pela forma como isso tem acontecido. Afinal, quem assina o BO, ou seja, o responsável pela ocorrência, é o PM que está na rua e não quem determinou que a maquiagem seja feita."

PM nega orientação
Em nota, a assessoria de comunicação da 4ª Região da PM (RPM) afirma desconhecer e abominar qualquer orientação para mascarar ocorrências, e garante: "o preenchimento do Reds é de total responsabilidade do militar empenhado e, cabe a ele, mediante sua análise do fato em concreto, estabelecer a natureza da ocorrência atendida, devendo se valer da Diretriz Auxiliar de Operações, documento doutrinário da corporação, que orienta a devida codificação de acordo com o enunciado do diploma legal correspondente".

Nova metodologia
Este ano, o Governo estadual mudou a metodologia do ICV. Atualmente, consideram-se crimes violentos os homicídios tentado e consumado, o roubo, o sequestro ou cárcere privado, os estupros tentado e consumado, além da extorsão mediante sequestro. Curioso é que, em Juiz de Fora, os dados oficiais, em geral, apontam queda da criminalidade. Entre 2010 e 2011, por exemplo, o ICV caiu 9,6% no município, ao passo que, em Minas Gerais, aumentou 10,8%, segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). Na última quarta-feira, a 4ª RPM informou que o número de crimes violentos em Juiz de Fora caiu de 618 para 542, nos sete primeiros meses deste ano, comparados com o mesmo período de 2011.

Informações desencontradas nos boletins

Durante um mês, a Tribuna investigou centenas de boletins de ocorrência elaborados pela PM e descobriu que uma das mortes mais brutais e de maior repercussão em Juiz de Fora este ano não entrou oficialmente nos dados de criminalidade violenta. Isso porque o Reds nº 807686, que registrou o assassinato da ex-professora Ana Esther Scheffer, 78 anos, no Bairro São Pedro, foi classificado como encontro de cadáver. Chama atenção que a própria ocorrência apontou o nome de um dos suspeitos pela morte (ver fac-símile 1). A idosa foi encontrada com uma televisão sobre o rosto. Os dois suspeitos foram presos pela Polícia Civil menos de 24 horas após o crime. Além de matar a idosa, eles roubaram joias, dinheiro e um cartão do banco.

http://www.tribunademinas.com.br/polopoly_fs/1.1142523%21/image/501396989.jpg_gen/derivatives/landscape_800/501396989.jpg

No levantamento, a reportagem também encontrou dezenas de casos de assalto a mão armada tipificados como extorsão. No dia 3 de abril, por exemplo, três entregadores de bebida tiveram cerca de R$ 600 levados por dois bandidos, enquanto os trabalhadores faziam uma entrega na Rua Hortogamini dos Reis, na Vila Olavo Costa. No Reds nº 689905 (ver fac-símile 2), o policial militar relata que um dos suspeitos de cometer o crime "anunciou o assalto" e ordenou que os três entregassem todo o dinheiro. Embora a própria ocorrência informe a ação do assalto, a natureza do registro foi tipificada como extorsão.

http://www.tribunademinas.com.br/polopoly_fs/1.1142524%21/image/1514327853.jpg_gen/derivatives/landscape_800/1514327853.jpg

Já no dia 11 de julho, uma funcionária de uma banca de jornal na Rua Oscar Vidal, no Centro, foi rendida por um assaltante armado com revólver. Apontando a arma para ela, o homem a obrigou a entregar todo o dinheiro do caixa, cerca de R$ 2 mil, e fugiu. Desesperada, a jovem de 20 anos pegou o celular e ligou para a mãe, momento em que o assaltante voltou e apontou a arma em direção ao rosto da funcionária, obrigando-a, desta vez, a entregar o aparelho telefônico. Conforme o Reds nº 1420783 (ver fac-símile 3), o bandido "perguntou se ela queria morrer". O caso foi tido oficialmente como extorsão, embora aproxime-se mais de um assalto à mão armada.

http://www.tribunademinas.com.br/polopoly_fs/1.1142525%21/image/1730340509.jpg_gen/derivatives/landscape_800/1730340509.jpg

Ainda em julho, desta vez no dia 14, um rapaz de 22 anos foi violentamente atacado, na Rua A do Bairro Jardim Casablanca, na Cidade Alta. Conforme o Reds nº 1446066 (ver fac-símile 4), a vítima foi encaminhada desacordada ao HPS, "sendo diagnosticados afundamento de crânio, edema cerebral, pneumoencéfalo, feridas corto-contusas no maxilar e cabeça, e escoriações secundárias em todo o corpo, sendo medicada e permanecendo internada na UTI em estado grave". O que seria uma tentativa de homicídio foi tipificada como lesão corporal. A gravidade das pancadas foi tanta que a vítima continuava internada no HPS até o início deste mês.

http://www.tribunademinas.com.br/polopoly_fs/1.1142526%21/image/3573693069.jpg_gen/derivatives/landscape_800/3573693069.jpg

Exemplos de equívocos se multiplicam

Os possíveis equívocos na classificação de ocorrências são evidenciados quando os casos são encaminhados para a Polícia Civil, que costuma corrigir a natureza do crime. No último dia 31 de julho, o corpo de um homem de 26 anos foi encontrado queimado e enterrado em um terreno no Bairro Sagrado Coração de Jesus, Zona Sul. Apesar de a própria situação já sugerir um homicídio - uma pessoa, por si só, não conseguiria colocar fogo em si mesma e depois se enterrar -, o caso foi registrado como encontro de cadáver. A 1ª Delegacia Distrital tenta descobrir a autoria do assassinato.
Em outro caso, registrado no dia 1º de agosto, um homem de 37 anos agrediu violentamente a mulher, 21, no Parque Independência. A Delegacia de Orientação e Proteção à Família abriu inquérito para apurar a tentativa de homicídio, embora a ocorrência tenha sido registrada, pela PM, como lesão corporal. A mesma natureza foi escolhida para classificar outro crime registrado no mesmo dia: em processo de separação conjugal, uma mulher de 23 ateou fogo na própria casa, com o marido dentro, em Benfica, Zona Norte. Após o homem conseguir escapar, ela ainda conseguiu jogar álcool no corpo do marido e novamente atear fogo.

Especialista alerta para indício de erro

A pedido da Tribuna, o coordenador do Centro de Pesquisa em Segurança Pública (Cepesp) da PUC Minas e ex-secretário de Defesa Social Luis Flávio Sapori analisou algumas ocorrências e concluiu que "são casos flagrantes de maquiagem do Reds, especialmente aqueles envolvendo extorsão, nítidos casos de roubos à mão armada". No início do ano, em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o especialista já havia alertado os deputados estaduais da Comissão de Segurança Pública e Direitos Humanos sobre os "indícios seríssimos" de que as informações sobre a violência no estado estariam sendo manipuladas. Sapori ainda sugeriu auditoria externa nos dados, o que foi protocolado pelos parlamentares, mas ainda não ocorreu.
Na mesma audiência, o integrante da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas (Aspra), Luiz Gonzaga Ribeiro, afirmou categoricamente haver orientação dos comandantes para que os policiais subnotificassem casos de violência. Os militares que se recusassem recebiam processo disciplinar e tinham a avaliação de desempenho prejudicada.
Procurada pela Tribuna, a Aspra diz que não tem mais recebido informação de subnotificação. "Denúncias podem ser enviadas pelo e-mail ouvidoria@aspra.org.br", recomenda o presidente da entidade, Raimundo Nonato Meneses Araújo.

'Não há punições'
Conforme o comunicado da 4ª RPM, "não há registros de nosso conhecimento, que comprovem alteração por meio de intervenções, sejam elas do Centro de Operações (Copom) ou do oficial da Coordenação de Policiamento da Unidade (CPU), e, em consequência, não foram levantadas punições, devendo se deixar claro que qualquer notícia nesse sentido, por imperioso compromisso com o princípio da transparência, deve ser levado ao conhecimento deste comando, que determinará incontinente a devida apuração para determinar responsabilidades e efetuar a devida correição".
Por fim, a 4ªRPM alegou que "ao citar que o Índice de Criminalidade Violenta (ICV) se vale para consolidação das estatísticas dos homicídios (consumados e tentados), roubos, sequestros (consumados e tentados), além dos latrocínios (homicídios seguidos de roubo), o registro inicial da ocorrência não influi nos números: o resultado final parte do Centro Integrado de Informações do Sistema de Defesa Social (Cinds), que une os diferentes bancos de dados e elimina duplicidades e inconsistências. Após análise dessas informações é que se tem a fonte oficial de estatísticas de Minas Gerais".